Limão-taiti vira aposta de produtores em MT e rende até 40 kg por árvore ao mês

O limão-taiti tem ganhado espaço como alternativa de renda para produtores rurais de Rondonópolis, no sul de Mato Grosso. A fruta chama a atenção pela produção praticamente durante todo o ano e pela possibilidade de boa produtividade, mas especialistas alertam que o cultivo exige investimento, planejamento e acompanhamento técnico.

Limão-taiti é aposta de produtor rural de Rondonópolis e produz praticamente o ano todo. – Foto: Eduardo Stuchi/Embrapa

É essa aposta que move o produtor rural John Marques. Em uma propriedade de 33 hectares, ele destinou cerca de 55% da área ao cultivo do limão-taiti, cultura que já conhecia e na qual decidiu investir para realizar um antigo sonho. “Minha aposta real é no limão-taiti porque era uma cultura que eu já conhecia”, conta.

Além da experiência, outro fator pesou na decisão: a produtividade. Algumas árvores começaram a produzir cerca de um ano e meio após o plantio e, atualmente, parte do pomar chega a render até duas caixas de 20 quilos por mês por planta — aproximadamente 40 quilos mensais.

Apesar do potencial de retorno, manter o pomar exige investimentos contínuos. Segundo John, o custo médio de manutenção gira em torno de R$ 3 por árvore ao mês, considerando despesas com irrigação, adubação e mão de obra.

Solo do Cerrado exige correção

Outro desafio está no próprio solo do Cerrado mato-grossense. Naturalmente ácido, ele precisa passar por correção para permitir que as plantas absorvam os nutrientes necessários ao desenvolvimento.

A agrônoma Patrícia Souza Santos explica que a aplicação de calcário é uma das principais etapas para garantir a produtividade. “O solo ácido acaba se tornando tóxico para a planta. Com o uso do calcário, você consegue tornar o solo menos ácido e propício para o desenvolvimento”, afirma.

Produtor rural de MT destinou cerca de 55% de propriedade ao cultivo do limão-taiti. - Foto: Ilustrativa
Produtor rural de MT destinou cerca de 55% de propriedade ao cultivo do limão-taiti. – Foto: Ilustrativa

Doenças também preocupam

Além da preparação do solo, o produtor precisa manter vigilância constante contra doenças. Uma das principais ameaças ao limão é a gomose, doença que provoca o apodrecimento da base da planta, dificulta a circulação de nutrientes e pode levar à morte da árvore.

John conta que já perdeu plantas por causa da doença, mas conseguiu recuperar parte do pomar utilizando tratamentos específicos.

Assistência técnica aos produtores

Para incentivar a produção agrícola, a Secretaria Municipal de Agricultura de Rondonópolis oferece assistência técnica e apoio com maquinários aos pequenos produtores rurais.

Segundo a secretária de Agricultura, Katiene Salomão, aproximadamente 490 famílias recebem atendimento. “Tem esse atendimento com maquinário, trator, roçadeira e também a parte da assistência técnica.”

Mesmo com preços baixos, produtor quer ampliar cultivo

Mesmo enfrentando um período de baixa no mercado, com a caixa do limão sendo comercializada entre R$ 35 e R$ 40, John não pretende reduzir a produção.

Ao contrário: ele já planeja utilizar os 17 hectares ainda disponíveis na propriedade para ampliar o pomar e aumentar a produção. Para o produtor, o cultivo representa mais do que uma atividade econômica. “Hoje eu estou vivendo um sonho que eu sonhei, um sonho de infância.”

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