Gigantes do agro disputam compra de fazendas de R$ 1,85 bilhão em Mato Grosso

Uma das maiores negociações de terras agrícolas do ano em Mato Grosso ganhou um novo capítulo. Duas gigantes do agronegócio, Bom Futuro e SLC Agrícola, disputam a compra de um bloco de fazendas avaliado em R$ 1,85 bilhão, colocado à venda pelo Grupo Radar. Juntas, as propriedades somam 41,2 mil hectares, dos quais cerca de 28,8 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, milho e algodão.

As duas empresas afirmaram que pretendem exercer o direito de preferência previsto nos contratos de arrendamento. A SLC já cultiva cerca de 17,6 mil hectares das áreas negociadas, enquanto a Bom Futuro informou nesta sexta-feira (26) que formalizou o exercício desse direito para adquirir a totalidade do chamado Bloco Mato Grosso.

Bom Futuro e SLC disputam a compra de 41,2 mil hectares da Radar em MT. O negócio de R$ 1,85 bilhão é um dos maiores do agro neste ano. – Foto: Divulgação

Em nota, a Bom Futuro afirmou que o investimento tem sinergia com outras propriedades da empresa e está alinhado à estratégia de expansão no estado, onde atua há mais de 44 anos.

“Na condição de arrendatária, exerceu junto ao Grupo Radar seu legítimo direito de preferência na aquisição dos imóveis que compõem o denominado Bloco Mato Grosso, na sua totalidade e nos termos da oferta, no montante de R$ 1,85 bilhão”, informou a empresa.

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Eraí Maggi, executivo do Grupo Bom Futuro. Foto: Divulgação

A venda das propriedades foi anunciada após a Cosan comunicar ao mercado a negociação de aproximadamente 12% das terras da Radar por R$ 1,85 bilhão. A Radar é controlada pela gestora americana Nuveen, enquanto a Cosan possui participação de 30% na empresa.

Segundo a Cosan, a operação faz parte da estratégia de redução da alavancagem financeira, desinvestimentos e simplificação do portfólio.

O que é a Radar?

A Radar é uma empresa especializada na aquisição, gestão e arrendamento de terras agrícolas. Em vez de produzir grãos, compra fazendas e as arrenda para grandes produtores rurais, que ficam responsáveis pelo cultivo das áreas.

As fazendas colocadas à venda em Mato Grosso já são utilizadas para a produção de soja, milho e algodão e representam um dos principais ativos agrícolas negociados no país neste ano.

Disputa ainda não terminou

Antes da manifestação da Bom Futuro, a SLC Agrícola informou ao mercado que analisava as condições da venda e avaliava exercer seu direito de preferência sobre os 17,6 mil hectares que já arrenda.

Em comunicado, a companhia afirmou que se manifestará dentro do prazo previsto e manterá acionistas e investidores informados sobre eventuais desdobramentos.

Assim, embora a Bom Futuro tenha oficializado o exercício do direito de preferência, a definição sobre quem ficará com as áreas dependerá da conclusão dos procedimentos previstos nos contratos e da formalização da operação.

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