Caseiro de policial tem julgamento marcado pelo assassinato do advogado Renato Nery em Cuiabá

O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de matar o advogado Renato Gomes Nery, será julgamento no dia 15 de julho deste ano, a partir das 9 horas no Fórum de Cuiabá. A definição da data do júri ocorreu nesta sexta-feira (26) por decisão do juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.

Conforme a decisão, no dia do julgamento serão ouvidas cinco testemunhas do Ministério Público (MPMT) no plenário. São elas: os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando Alvares de Albuquerque; o escrivão da Polícia Civil, Davi Padilha Nogueira; a filha do advogado, Renata Moreira Gomes Nery; e ainda Kaster Huttner Garcia.

A defesa de Alex Roberto, patrocinada pela Defensoria Pública (DPMT), manifestou que deverá ouvir as mesma testemunhas do MP.

Alex Roberto é apontado como autor dos disparos que mataram o advogado; investigação também levou à prisão de empresários e policiais militares. – Foto: Reprodução

A testemunha Kaster Huttner Garcia chegou a ser preso em abril de 2025 suspeito por envolvimento no homicídio do advogado Renato Nery. A investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou que o caseiro foi responsável por buscar, na cidade de Barão de Melgaço, a motocicleta utilizada por Alex Roberto, o autor dos disparos.

Kaster possui diversos antecedentes criminais por crimes de furto, roubo, tráfico de drogas, entre outros. Em 2013, ele chegou a ser preso, aos 21 anos de idade, junto a uma quadrilha especializada em roubo a residências.

Já em 2020, Kaster foi alvo da Operação Segundo Caminho, deflagrada pela Polícia Federal, contra uma organização criminosa que financiou a candidatura de um membro da facção criminosa Comando Vermelho para vereador por Barra do Garças.

Outros presos envolvidos no crime

Ainda aguardam julgamento e estão presos outros envolvidos no homicídio do advogado. Permanecem presos preventivamente desde 9 de maio de 2025 o casal apontado como mandante da morte de Nery, a empresária Julinere Goulart Bastos e o marido César Jorge Sechi.

Além deles também estão detidos os policiais militares Heron Teixeira Pena Vieira, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa.

As investigações apontaram que uma chácara alugada no nome de Heron Teixeira no bairro Capão Grande, em Várzea Grande, era frequentada por ele e demais policiais investigados, sendo uma espécie de “sede” de reuniões de crimes.

Os disparos que atingiram Renato Nery foram efetuados por Alex Roberto de Queiroz Silva, instruído por Heron Teixeira Pena Vieira. O crime teria sido motivado por promessa de recompensa no valor de R$ 200 mil.

De acordo com a denúncia do MPMT, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira “agindo em concurso de pessoas e em contexto de organização criminosa, participaram do meticuloso planejamento e execução do homicídio qualificado do advogado”.

Jackson atuou como intermediário principal, coordenando o crime e realizando pagamentos parciais, enquanto Ícaro forneceu a arma usada (uma pistola Glock, configurada para disparos automáticos) e facilitou a transferência do pagamento.

Outros 4 policiais militares da Rotam, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, o sargento PM Leonardo de Oliveira Penha, o sargento PM Jorge Rodrigo Martins e o soldado Wekerlley Benevides de Oliveira, foram presos novamente nesta após determinação do STJ.

Disputa de terras

O homicídio foi praticado no contexto de uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim (a 485 km de Cuiabá). A vítima havia obtido uma vitória judicial significativa, resultando em perdas financeiras para aspartes adversas.

Além disso, havia apresentado uma queixa ética contra outros advogados, acusando-os de operar um “escritório do crime” com suposta participação de um membro do Judiciário.

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