BRT pode transformar Avenida da FEB em ponto crítico para pedestres, alertam especialistas

A morte de Alice da Silva Barros, de 64 anos, atropelada enquanto atravessava na faixa de pedestres da Avenida da FEB, em Várzea Grande, na terça-feira (23), levantou um alerta sobre um problema que pode ficar ainda maior com a entrada em operação do BRT: a segurança de quem vai precisar atravessar a avenida para acessar as estações.

A preocupação é que, com o novo modal, o fluxo de pedestres aumente significativamente na região. Serão passageiros descendo nas estações, caminhando até os pontos de embarque, atravessando de um lado para o outro da avenida e dividindo espaço com o trânsito intenso de veículos.

Para o engenheiro civil Matheus Francisco da Silva, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a faixa de pedestres indica o local correto para a travessia, mas não garante, sozinha, a segurança necessária.

BRT pode aumentar risco para pedestres na Avenida da FEB, alertam especialistas. (Foto: Prefeitura)

“A faixa de pedestres representa o local correto, mas correto nem sempre é sinônimo de segurança quando a infraestrutura não acompanha. Uma faixa bem projetada, com semáforo, iluminação e velocidade controlada, é segura. Sozinha, numa avenida de alto tráfego e alta velocidade, ela é uma proteção insuficiente”, explicou.

Obras do BRT Avenida da FEB em Várzea Grande. (Drone: Daniel B Meneses/Secom-MT)
Obras do BRT Avenida da FEB em Várzea Grande. (Drone: Daniel Meneses/Secom-MT)

Segundo o especialista, o cenário da Avenida da FEB tende a se agravar caso as travessias não sejam adaptadas à nova realidade do transporte coletivo.

“Quando o BRT entrar em operação, o fluxo de pedestres nessa avenida vai aumentar significativamente. Pessoas descendo das estações, atravessando para acessar o outro lado, chegando a pé até os pontos de embarque. Então, se a infraestrutura de travessia não estiver à altura do BRT, a cidade vai melhorar o transporte coletivo e piorar a segurança de quem depende dele”, alertou.

Quem passa pela avenida todos os dias já percebe os riscos. O gerente de projetos Maurício Varzone relata que as faixas de pedestres são poucas, distantes umas das outras e sem iluminação adequada, principalmente à noite.

“Não tem iluminação. O pedestre vai atravessar à noite e atravessa no escuro. Não é uma faixa elevada, que seria o ideal, porque facilitaria a mobilidade de cadeirantes que precisam atravessar de um lado para o outro. Ali passa muito cadeirante, muito idoso, que vai ao supermercado”, afirmou. Ouça abaixo:

A Prefeitura de Várzea Grande informou que trabalha em conjunto com o governo do estado para instalar novos semáforos em pontos estratégicos da Avenida da FEB. O município também afirmou que equipamentos para reduzir a velocidade dos veículos já foram instalados há mais de 60 dias.

Ainda segundo a administração municipal, as obras do corredor do BRT não foram concluídas nem entregues oficialmente ao município. Enquanto isso, a prefeitura diz que tem adotado medidas para organizar o trânsito e aumentar a segurança de motoristas e pedestres.

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) informou que, desde o início do projeto, a previsão é que a travessia de pedestres na Avenida da FEB seja feita por semáforos quando o BRT entrar em operação. Segundo a secretaria, como as estações ficam no canteiro central, a construção de passarelas não seria viável, já que os passageiros precisam acessar as plataformas no meio da avenida.

Mulher morreu atropelada na FEB. - Foto: Reprodução
Mulher morreu atropelada na FEB. – Foto: Reprodução

Para o engenheiro de transporte Sérgio Magalhães, no entanto, as passarelas poderiam ser uma alternativa para aumentar a segurança no trecho. “O importante seria a construção de passarelas aéreas, bem altas, para não atrapalhar a circulação do BRT. Seria uma passarela para chegar até o ponto de transbordo, fazendo com que houvesse uma maior segurança na travessia”, avaliou.

Acidentes na avenida

Alice da Silva Barros, de 64 anos, morreu no dia 23 de junho, na Avenida da FEB, em Várzea Grande, quando foi atingida por um veículo enquanto terminava de atravessar a faixa de pedestres em frente a uma rede de atacadista na FEB.

O acidente ocorreu, segundo o delegado, após o motorista de um Gol não observar a parada de carros antes da faixa de pedestres e atingir outros dois carros e uma moto. Com o impacto, um dos veículos atingiu a idosa e ficou parado sobre ela, causando a morte ainda no local.

Em janeiro deste ano, a idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 72 anos, morreu após ser atropelada duas vezes na Avenida da FEB, em Várzea Grande. A vítima foi atropelada duas vezes e teve o corpo desmembrado devido à alta velocidade com que o motorista Paulo Roberto conduzia um carro sentido à região do “Zero KM”. 

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Acidente na Avenida da FEB matou idosa de 72 anos, em Várzea Grande – Foto: Reprodução

No dia 16 de junho, a Justiça aceitou a denúncia e tornou réu o motorista responsável pela morte da vítima, o advogado Paulo Roberto Gomes.

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