Após 91 dias, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi mais uma vítima de feminicídio. O crime ocorreu no dia 18 de maio, na zona rural de Campo Grande, onde a vítima morava com o marido, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78.
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Cardiologista é preso novamente por feminicídio da esposa em Campo Grande
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Laudo afasta hipótese de suicídio em morte de fisioterapeuta
A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O resultado só pôde ser concluído após a perícia constatar que a fisioterapeuta não se suicidou, conforme alegado pelo suspeito no dia do ocorrido.
Além disso, os investigadores juntaram informações de testemunhas e analisaram os aparelhos celulares do casal. Diante do conjunto de provas, foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra João na sexta-feira (14). Desde então, ele segue preso.
Com o inquérito finalizado, o caso será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para análise e oferecimento da denúncia. Veja abaixo a nota da defesa de João Jazbik Neto.
“O inquérito policial é um procedimento inquisitivo, o que significa dizer que não há contraditório, nem exercício do direito de defesa, nessa fase processual. O processo se inicia em juízo com eventual recebimento da denúncia, quando então se abrirá prazo para o oferecimento de Resposta à Acusação, com oportunidade para a defesa apontar as nulidades processuais e requerer a produção de prova e contraprova. A defesa informa, por fim, que o dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia”.
Advogado José Belga Trad
Já a defesa da família de Fabíola alegou que não estão “diante de uma simples conclusão unilateral da autoridade policial”.
“É evidente que o investigado possui direito à ampla defesa e ao contraditório no momento processual adequado, assim como permanece assegurada a presunção de inocência. Mas esses direitos não tornam inexistentes os elementos colhidos durante a investigação, nem impedem a adoção das medidas cautelares expressamente previstas pelo Código de Processo Penal. A família de Fabíola não pretende antecipar julgamento nem substituir o Poder Judiciário. O que se espera é exatamente o contrário: que as provas sejam analisadas pelas instituições competentes e que o devido processo legal seja respeitado. O que não pode ser ignorado é que, após meses de investigação e perícias técnicas, a Polícia Civil afastou a hipótese de suicídio e concluiu oficialmente que Fabíola Marcotti foi vítima de feminicídio. Essa conclusão não decorre de especulação, pressão familiar ou exposição midiática, mas do trabalho técnico realizado pelos órgãos responsáveis pela investigação. Quanto à afirmação de que o investigado permanece firme em sua versão, trata-se do legítimo exercício do direito de defesa. Entretanto, uma versão apresentada por qualquer investigado deve ser confrontada com os elementos objetivos produzidos pela investigação, sobretudo com a prova pericial. E foi justamente a evolução da prova técnica que levou as autoridades a afastarem a hipótese inicialmente apresentada de suicídio. A família continuará respeitando o sigilo dos elementos que ainda não podem ser publicizados, confiando no trabalho da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário e buscando uma única coisa: verdade, justiça e respeito à memória de
Fabíola”.Advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens
Mais uma vítima de feminicídio
Com a conclusão dos fatos, Fabíola entra oficialmente para a lista de vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul, em 2016. A fisioterapeuta foi a 12ª mulher a perder a vida para companheiro, ex-companheiro ou familiares.
Até o momento, o estado contabiliza 21 casos. Veja abaixo o nome de cada uma delas:
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista;
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá;
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim;
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados;
- Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio;
- Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos;
- Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria;
- Marlene Brito Rodrigues – 59 anos – assassinada em 06/04 em Campo Grande;
- Vera Lúcia da Silva – 41 anos – assassinada em 12/04 em Eldorado;
- Zelita Rodrigues de Souza – 77 anos – assassinada em 30 de abril em Mundo Novo;
- Fabíola Marcotti – 51 anos – assassinada em 18 de maio em Campo Grande;
- Maria do Carmo – 66 anos – assassinada em 28 de junho em Naviraí;
- Paula de Souza Conceição – 29 anos – assassinada em 11 de julho em Fátima do Sul.
- Rosenilda de Oliveira Candelario – 48 anos – assassinada em 17 de julho em Nioaque
- Terezinha Nantes de Arruda – 54 anos – assassinada em 27 de julho em Campo Grande
- Ana Carolina Goes – de 45 anos – assassinada no dia 30 de julho em Água Clara
- Adrielle Encarnação Rodrigues – assassinada no dia 31 de julho em Corumbá
- Rose Batista Cabreira – de 41 anos – assassinada no dia 2 de agosto em Dourados
- Adriana Barrios – 22 anos – assassinada no dia 5 de agosto em Paranhos.
- Nathalia Rodrigues Nogueira – de 26 anos – assassinada no dia 6 de agosto em Rio Verde de Mato Grosso.
