Mato Grosso dobra número de candidaturas indígenas em 2026; saiba quem são eles

Mato Grosso terá oito candidaturas indígenas nas Eleições Gerais de 2026, o dobro do registrado na disputa de 2022, quando quatro candidatos que se autodeclararam indígenas concorreram a cargos eletivos. Os nomes estão distribuídos entre as disputas para deputado federal e deputado estadual.

A maioria das candidaturas indígenas em Mato Grosso são de mulheres. – Foto: Reprodução

No cenário nacional, são 191 candidaturas indígenas registradas para as eleições deste ano, contra 163 nas Eleições Gerais de 2022. Com oito nomes, Mato Grosso aparece na sétima posição entre os estados com maior número de candidaturas indígenas.

O crescimento acontece em um momento de ampliação da participação indígena no processo eleitoral. O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a incorporar, de forma definitiva, informações autodeclaratórias sobre etnia indígena no cadastro eleitoral.

Em 2026, o país também registra aumento do eleitorado indígena, que passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 neste ano.

Panorama nacional

Amazonas e Roraima lideram o número de candidaturas indígenas, com 22 cada. Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul, com 21, e Bahia, com 15. O levantamento mostra que a presença de candidatos indígenas permanece mais concentrada nas regiões Norte e Centro-Oeste, embora haja candidaturas em praticamente todas as unidades da Federação.

Entre os partidos, o PT reúne o maior número de candidaturas indígenas no país, com 34 nomes. Depois aparecem Rede, com 26; PSOL, com 21; PDT, com 17; Novo, com 14; e PL, com 12.

A legislação eleitoral também prevê regras específicas para o financiamento dessas candidaturas. Para 2026, os partidos devem destinar às candidaturas indígenas um percentual mínimo do Fundo Especial de Financiamento de Campanha proporcional à presença de indígenas entre homens e mulheres candidatos da legenda.

Em Mato Grosso, os oito candidatos estão ligados a diferentes povos e trajetórias. As candidaturas se concentram em municípios como Paranatinga (MT), Rondonópolis (MT), Canarana (MT), Cuiabá (MT), Barra do Garças (MT) e Tangará da Serra (MT).

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Quem são os candidatos indígenas de Mato Grosso

Ysani (Agir) – Aos 36 anos, ela é uma das candidatas indígenas de maior presença nas redes sociais, com cerca de 388 mil seguidores no Instagram e disputa uma vaga como deputada federal.

Ela se apresenta como uma “indígena do século XXI” e costuma abordar temas relacionados à tecnologia, cultura e costumes tradicionais. Ela também integrou a comitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma agenda na Organização das Nações Unidas (ONU), durante a qual defendeu políticas ambientais adotadas pelo então governo.

Darlene Taukane (PDT) – Darlene Yaminalo Taukane, de 65 anos, concorre a deputada federal pelo PDT. Indígena do povo Kurâ Bakairi, ela nasceu na Aldeia Pakuera, em Paranatinga, e integra a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT).

Professora, pesquisadora e ativista da educação indígena, Darlene é formada em Letras e possui mestrado voltado à escolarização de seu povo. Sua trajetória também inclui a produção e organização de publicações sobre história, alfabetização e a luta das mulheres Kurâ Bakairi.

Luciene Kayabi (PP) – Com 52 anos, Luciene disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Progressistas (PP). Ela atua à frente da presidência de um movimento Agro Indígena Nacional e Internacional, aproximando a pauta indígena de questões relacionadas à produção e ao setor agropecuário.

Andressa (PDT) – Andressa disputa pela segunda vez uma eleição. Em 2024, concorreu ao cargo de vereadora em Querência, mas não foi eleita. Com 32 anos, ela pertence ao povo Kuikuro e é natural de Canarana. Atua como artesã, empreendedora e liderança indígena. Agora, tenta uma vaga de deputada federal pelo PDT.

Onesio Juruna Filho (PDT) – Onesio Juruna Filho, de 46 anos, do povo Xavante, disputa uma vaga de deputado estadual pelo PDT. Nascido em Barra do Garças, ele é filho do histórico líder indígena Mário Juruna, que fez história como o primeiro indígena eleito deputado federal no Brasil.

A candidatura de Onesio representa a continuidade de uma trajetória política familiar ligada à representação dos povos indígenas no Legislativo.

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Juruna foi o primeiro deputado federal indígena do Brasil, com 31 mil votos, representando o estado do Rio de Janeiro. – Foto: Getúlio Gurgel/Folhapress

Eliane Xunakalo (PT) – Eliane Xunakalo, do povo Bakairi, disputa novamente uma vaga de deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Com 40 anos, ela já ocupa espaço na história política de Mato Grosso por ter sido a primeira mulher indígena a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado.

Eliane chegou ao Legislativo por meio do sistema de rodízio do PT, ocupando durante 30 dias a vaga do deputado Lúdio Cabral. A passagem pela Assembleia ocorreu em abril de 2026 e ampliou a presença indígena no Parlamento estadual. A própria Operação Amazônia Nativa (OPAN) a identifica como a primeira mulher indígena deputada estadual do país.

Antes disso, ela também foi a primeira mulher a presidir a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT).

Pablo Kamaiurá (PL) – Pablo, de 53 anos, concorre ao cargo de deputado estadual. Nascido em Paranatinga, ele atua como agente de saúde e sanitarista, além de exercer atividade política. Integrante do povo Kamaiurá, ele leva para a disputa estadual uma trajetória ligada à saúde e às demandas das comunidades indígenas.

Tipuici Manoki (PT) – Aos 38 anos, disputa pela primeira vez uma eleição e concorre a uma vaga de deputada estadual. Natural de Tangará da Serra, ela vive na aldeia Treze de Maio, na Terra Indígena Irantxe, em Brasnorte (MT).

Tipuici já atuou como agente de saúde indígena e professora articuladora da rede estadual de ensino. Também trabalha com audiovisual e integra o coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky, voltado à produção cinematográfica indígena.

Sua atuação política reúne pautas relacionadas aos direitos indígenas, território, educação, meio ambiente e cultura. Ela também articula à agenda indígena discussões relacionadas à população LGBTI+.

Representação indígena em crescimento

O aumento das candidaturas ocorre paralelamente à expansão do número de eleitores indígenas identificados pela Justiça Eleitoral. Em Mato Grosso, o eleitorado indígena cresceu em 6.974 pessoas entre 2024 e 2026, segundo o TSE, uma das maiores altas absolutas entre os estados brasileiros.

A Justiça Eleitoral ressalta, porém, que os dados sobre identidade indígena são autodeclaratórios e passaram a ser coletados a partir de novembro de 2022. Por isso, parte do crescimento registrado também está relacionada à ampliação e à qualificação dessas informações no cadastro eleitoral.

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