O avião que caiu e pegou fogo nesta quinta-feira (10), deixando três mortos em uma fazenda de Água Boa (MT), carrega um histórico que começou a ganhar repercussão nacional quase nove anos antes do acidente. A aeronave de prefixo N401NA é a mesma que foi apreendida em Goiânia, em dezembro de 2017, após a Polícia Federal encontrar inicialmente 67 kg de cocaína escondidos no assoalho. Na ocasião, dois irmãos gêmeos espanhóis foram presos.
A identificação coincide com a informada pelo Corpo de Bombeiros após a queda em Mato Grosso. Trata-se de um Cessna 402B, prefixo N401NA. Documentos da Justiça Federal referentes ao caso de tráfico também identificam a aeronave pelo mesmo modelo e prefixo.

O avião caiu na Fazenda Santa Rita, na região da Pedreira Shalon. O Corpo de Bombeiros informou que encontrou a aeronave em chamas e que utilizou aproximadamente 4 mil litros de água para controlar o incêndio.
Depois que as chamas foram extintas, os militares se aproximaram dos destroços e encontraram três corpos no interior do avião. Segundo o relato inicial dos bombeiros, as vítimas aparentavam ser do sexo masculino.
As identidades ainda não haviam sido oficialmente confirmadas até a publicação desta reportagem.
Gêmeos foram presos com cocaína no avião em 2017
O histórico da aeronave remonta a dezembro de 2017, quando o avião estava em um hangar de um aeródromo às margens da GO-070, em Goiânia.

Na época, a Polícia Federal chegou ao local após receber informações sobre uma aeronave considerada suspeita. Durante o monitoramento do hangar, dois estrangeiros chegaram ao local e entraram onde estava o avião.
Os homens eram irmãos gêmeos espanhóis, José Luis Rivera Diaz e Juan Carlos Rivera Diaz, então com 57 anos.
Durante a abordagem, os policiais encontraram um compartimento aberto no assoalho da aeronave. Inicialmente, foram localizados 67 kg de cocaína escondidos no avião.
Posteriormente, conforme documentos do processo na Justiça Federal, mais entorpecentes foram encontrados escondidos nas asas. O volume total apreendido chegou a 98,8 kg de cocaína.
Os irmãos disseram inicialmente que não sabiam da existência da droga. O caso, porém, avançou na Justiça Federal, que considerou comprovada a atuação dos dois para guardar e manter a cocaína no Cessna com objetivo de exportação para os Estados Unidos.
Mesmo prefixo e número de série
Além do prefixo N401NA, registros da aeronave permitem traçar o histórico do Cessna.
O avião é um Cessna 402B, fabricado em 1970, com número de série 402B0035 e dois motores.
Esses mesmos dados aparecem nos registros da aeronave apreendida no processo relacionado ao tráfico de drogas.
Anos depois da apreensão, o Cessna chegou a ser colocado em leilão de bens apreendidos. No anúncio, a aeronave aparece novamente identificada como Cessna 402B, matrícula N401NA e número de série 402B0035.
O lote informava ainda que o avião havia sido fabricado em 1970 e possuía dois motores.
Avião pegou fogo após cair em MT
Nesta quinta-feira, vídeos feitos por pessoas que chegaram à região do acidente mostram o avião destruído pelo fogo em uma área de pastagem.
A Polícia Militar auxiliou no isolamento da área. Equipes da Polícia Judiciária Civil e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) também foram acionadas para os procedimentos no local.
As circunstâncias que levaram à queda da aeronave ainda deverão ser apuradas.
Quase nove anos depois de ter sido apreendido em uma investigação de tráfico internacional de drogas em Goiás, o Cessna de prefixo N401NA volta a aparecer em uma ocorrência policial, desta vez após a queda que deixou três pessoas mortas em Mato Grosso.
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