A construção de um supermercado que terminou com dois mortos e dois feridos, após desabamento da estrutura, foi embargada pela prefeitura de Campo Grande devido à irregularidades no alvará. O acidente aconteceu na tarde de sexta-feira (4), na avenida Rachel de Queiroz, localizada no bairro Aero Rancho. Morreram no local Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel da Silva Oliveira, de 40.
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Supermercado em construção desaba e mata duas pessoas
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Trabalhadores mortos em desabamento não tinham registro
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Câmera registrou desabamento de estrutura que matou dois
Ao Primeira Página, a prefeitura informou que o documento obrigatório foi emitido e assinado no dia 8 de setembro, quatro dias depois do desabamento.
“No entanto, a fiscalização constatou que a obra foi iniciada antes da emissão do documento, além de identificar riscos no local. Diante das irregularidades, a obra foi imediatamente embargada e foram lavrados Autos de Infração”, destacou a administração municipal.
Procurada pela reportagem, a HB Pré-Fabricados, responsável pela construção da estrutura, informou que “no momento ainda não tem informações precisas”.
“A perícia está fazendo os levantamentos das possíveis causas deste acidente. Neste momento a empresa está dando assistência aos feridos e aos óbitos. Lamentamos o ocorrido e tão logo tenhamos uma posição real nos pronunciaremos”, explicou.
A reportagem não conseguiu contato com o supermercado responsável pela obra. O espaço segue aberto.
Outras irregularidades
Após o acidente, autoridades passaram a investigar a obra. No local, servidores do Ministério Público do Trabalho (MPT) descobriram que os trabalhadores que morreram no desabamento não eram registrados em carteira.
“Já sabemos que os dois trabalhadores que foram vitimados não estavam registrados em carteira. Isso não salvaria a vida deles, mas protegeria, digamos assim, as compensações que o sistema previdenciário traz para guarnecer os familiares, quem fica. E nem isso foi observado.Esses trabalhadores não foram submetidos à integração, processo de integração. Ou seja, eles não tiveram a possibilidade, a oportunidade de conhecer os riscos aos quais eles estavam expostos nesse ambiente”, afirmou o procurador do trabalho, Douglas Moraes.
Diante da descoberta, a empresa deverá ser responsabilizada pelo ocorrido, uma vez que além das vítimas fatais, outros dois trabalhadores também ficaram feridos.
“Nosso desafio agora é identificar todas essas falhas. Porém, uma delas é exatamente a falta de informação do próprio trabalhador quanto aos riscos que ele está exposto. E isso aconteceu aqui. Começou pela falta do registro e começou também pela falta de submissão desses trabalhadores ao processo de integração. A gente sabe que os trabalhadores estavam há pouco tempo”, disse.
O acidente
Segundo o boletim de ocorrência, houve um colapso estrutural da obra, que estava em fase de edificação. Dois trabalhadores que realizavam a montagem estavam no ponto mais alto da estrutura, cerca de 14 metros do chão. Os homens de 39 e 41 anos não resistiram à queda.
Outros dois funcionários da empresa responsável pela montagem foram socorridos com vida e seguem internados na Santa Casa de Campo Grande.
Ainda conforme o registro policial, outros dois trabalhadores, que dirigiam os caminhões da empresa, estavam no local e não tiveram ferimentos. Os veículos, no entanto, foram atingidos e ficaram destruídos. O caso é investigado como morte por decorrência de fato atípico.
