A fila por um transplante de córnea no Brasil chegou a mais 37 mil pessoas, um aumento de 15% em apenas seis meses. Em dezembro de 2025, cerca de 32,6 mil pacientes aguardavam pelo procedimento. Os dados são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
O crescimento ocorre mesmo após o país registrar um recorde de transplantes. Em 2025, foram realizadas 17.790 cirurgias de córnea, o maior número já registrado, segundo a entidade.
Ainda assim, o volume de novos pacientes que entram na fila continua superior à capacidade de reduzir o passivo acumulado ao longo dos anos.
Atualmente, quem aguarda por um transplante de córnea no Brasil leva, em média, 370 dias para conseguir realizar a cirurgia. Há dez anos, a espera média era de 174 dias.
Segundo o CBO, o cenário cria um paradoxo: embora o país realize um número de procedimentos próximo do necessário para atender à demanda anual, a lista continua crescendo devido à entrada constante de novos pacientes.
MT tem 37 pacientes aguardando transplante
Em Mato Grosso, 37 pacientes estão atualmente na fila por um transplante de córnea, conforme o levantamento do CBO.
O estado aparece entre os destaques citados pela entidade na gestão da fila, com um número reduzido de pacientes ativos aguardando pelo procedimento.
O Ceará é apontado como principal exemplo de agilidade. O estado realizou 1.371 transplantes em 2025 e recebeu 1.639 novos pacientes ao longo do ano, mas encerrou dezembro com apenas 93 pessoas na lista.
Na outra ponta está o Rio de Janeiro. Foram 653 transplantes realizados em 2025, enquanto 1.720 novos pacientes ingressaram na fila. O estado encerrou o ano com 4.760 pessoas aguardando cirurgia.
São Paulo concentrava a maior fila absoluta em dezembro de 2025, com 7.505 pacientes, seguido por Minas Gerais, com 4.532.
Amapá e Roraima não registraram transplantes de córnea ao longo de 2025.

Por que a fila continua crescendo?
Entre as dificuldades apontadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia estão os custos enfrentados pelos bancos de olhos e a falta de atualização dos valores pagos pelos procedimentos.
Parte dos insumos utilizados é cotada em dólar, enquanto novas exigências de produção, processamento e controle de qualidade também aumentaram os custos.
A pandemia de covid-19 também contribuiu para o acúmulo de pacientes. Em 2020, com a suspensão de cirurgias eletivas, foram realizados apenas 7.349 transplantes de córnea no país, menos da metade dos 14.942 registrados em 2019.
Desde então, o número de procedimentos voltou a crescer: foram 12.869 transplantes em 2021, 14.082 em 2022, 16.028 em 2023, 17.108 em 2024 e 17.790 em 2025.
Mulheres e idosos são maioria
As mulheres representam 56% dos pacientes que aguardam por um transplante de córnea no país.
Pessoas com 65 anos ou mais correspondem a 47% da fila, cenário associado pelo CBO ao envelhecimento da população e ao aumento de doenças degenerativas da córnea.
Também chama atenção o número de crianças e adolescentes. Atualmente, 753 pacientes dessa faixa etária aguardam pelo procedimento. Em dezembro de 2025, eram 616.
Apesar do tamanho da fila, o CBO avalia que o Brasil mantém desempenho internacional positivo na realização de transplantes de córnea, com resultados comparáveis aos de países como Canadá e Austrália e acima de outras nações da América Latina.
Os dados estão entre os temas discutidos no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador até sábado (12).
-
Hemocentro faz apelo por doações de sangue O+, O- e B- e adere a campanha para cadastro de doadores de medula
-
Soja custa R$ 8,1 mil por hectare, mas lucro deve cair 35% em MT, apontam instituições do setor