Um simples contato com poeira, pelos de cachorro ou gato, flores e até alimentos pode desencadear espirros, coceira, falta de ar e crises intensas em milhões de brasileiros. Mas afinal, por que algumas pessoas desenvolvem alergias enquanto outras convivem com esses mesmos fatores sem apresentar nenhum sintoma?
A resposta está na forma como o sistema imunológico reage a determinadas substâncias. Em pessoas alérgicas, o organismo identifica elementos normalmente inofensivos como se fossem uma ameaça, desencadeando uma resposta exagerada de defesa.
O que é uma alergia?
A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico provocada pela combinação entre predisposição genética e fatores ambientais.
As substâncias capazes de provocar essas reações são chamadas de alérgenos. Elas podem estar presentes no ar, em alimentos, medicamentos, picadas de insetos, cosméticos, tecidos, produtos de limpeza e diversos materiais utilizados no dia a dia.
Quem possui predisposição genética tende a apresentar sintomas sempre que entra em contato com o alérgeno responsável pela reação.
Poeira é uma das maiores vilãs

Entre os principais desencadeadores das alergias respiratórias está a poeira doméstica. O problema, porém, não é exatamente a poeira, mas principalmente os ácaros, microrganismos microscópicos que vivem em colchões, travesseiros, sofás, tapetes, cortinas e bichos de pelúcia.
Eles se proliferam principalmente em ambientes quentes e úmidos e podem provocar sintomas como:
- espirros frequentes;
- coriza;
- nariz entupido;
- coceira no nariz e nos olhos;
- tosse;
- chiado no peito;
- falta de ar.
Esses sintomas são comuns em pessoas com rinite alérgica e asma.
Pelos de animais realmente causam alergia?
Ao contrário do que muita gente imagina, os pelos não são os verdadeiros responsáveis pelas alergias.
Na maioria dos casos, a reação ocorre por causa de proteínas presentes na saliva, urina e na pele dos animais, que acabam aderindo aos pelos e se espalhando pelo ambiente.
Por isso, mesmo locais onde o animal não está presente podem permanecer com partículas capazes de desencadear crises alérgicas.
Plantas também podem provocar alergias

As flores produzem grãos microscópicos conhecidos como pólen, fundamentais para a reprodução das plantas.
Em pessoas sensíveis, esses grãos podem desencadear fortes reações alérgicas, principalmente durante a primavera e o verão, quando sua concentração no ar costuma aumentar.
Mesmo dentro de casa, o pólen pode entrar pelas janelas e ficar acumulado em cortinas, móveis, roupas e estofados.
Além disso, fungos e mofo também estão entre os principais fatores que agravam alergias respiratórias.
Como saber se é alergia ou uma virose?
Muitas vezes, as alergias respiratórias são confundidas com resfriados e gripes porque apresentam sintomas semelhantes, como espirros, coriza, congestão nasal e mal-estar.
A principal diferença é que as infecções virais costumam provocar febre, dores no corpo e desaparecem em poucos dias.
Já as alergias geralmente:
- aparecem sempre que há contato com o alérgeno;
- não costumam causar febre;
- podem durar semanas ou meses;
- melhoram quando a pessoa se afasta da substância que desencadeia a reação.
Mesmo sem febre, apenas um médico pode confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento adequado.
Alergia tem cura?

Na maioria dos casos, as alergias não têm cura definitiva, mas podem ser controladas para reduzir a frequência e a intensidade das crises.
O tratamento varia conforme o tipo de alergia e pode incluir:
- evitar contato com o alérgeno;
- medicamentos antialérgicos e anti-inflamatórios;
- lavagem nasal com soro fisiológico;
- imunoterapia, conhecida como vacina para alergia;
- acompanhamento com um médico alergista.
Também é importante manter a casa limpa e bem ventilada, reduzir o acúmulo de poeira, controlar a umidade para evitar mofo e manter uma boa hidratação, o que ajuda na saúde das vias respiratórias.
Quando procurar atendimento médico?
É importante procurar avaliação médica quando as crises se tornam frequentes, interferem no sono ou nas atividades diárias, ou quando surgem sintomas como falta de ar intensa, chiado persistente no peito, inchaço no rosto ou dificuldade para respirar, situações que podem indicar uma reação alérgica grave e exigem atendimento imediato.