Um homem de 33 anos foi preso em flagrante, na última sexta-feira (3), em Cuiabá, suspeito de usar indevidamente o nome e a imagem de uma instituição de apoio a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer para pedir doações em dinheiro.
Segundo a Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, o investigado teria entrado em contato com várias pessoas e enviado fotos e vídeos de crianças hospitalizadas para solicitar contribuições financeiras por meio de transferências via Pix.
Ainda conforme a polícia, mesmo após ter se desligado da instituição, o homem teria continuado a se apresentar como representante do projeto e a receber valores em contas vinculadas ao próprio nome.
Um celular foi apreendido e deve passar por análise, com autorização judicial. O objetivo é identificar outras possíveis vítimas, verificar as mensagens enviadas e apurar a destinação do dinheiro recebido.
A Polícia Civil informou que representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. O homem foi autuado, em tese, por crime de estelionato.
As investigações continuam para esclarecer a extensão do caso e checar haveria participação de outros envolvidos.
Suspeito teve comportamento alterado na delegacia
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito compareceu à delegacia e, após a confirmação da identidade e a comunicação da prisão, apresentou comportamento alterado, agressivo e autolesivo.
A corporação informou que foi necessária a contenção dele para preservar a integridade física do próprio investigado e a segurança das pessoas que estavam no local. Foi determinado encaminhamento para avaliação médica.
Companhia da Alegria se manifesta
Após a repercussão do caso, a Companhia da Alegria, entidade citada no caso, publicou uma nota nas redes sociais. No comunicado, o projeto afirmou que o trabalho sempre foi desenvolvido “com transparência, respeito e amor ao próximo”.
A companhia disse ainda que todas as ações envolvendo crianças foram realizadas com autorização dos pais ou responsáveis.
Segundo a nota, em diversas campanhas, as doações eram destinadas diretamente às famílias. Quando havia arrecadação para manutenção do projeto, o Pix utilizado seria provisório enquanto a regularização do CNPJ estava em andamento.
A Companhia da Alegria também negou ter usado o nome de outro projeto social para realizar campanhas. Conforme o comunicado, as iniciativas sempre foram feitas em nome da própria companhia, com o objetivo de levar acolhimento, esperança e humanização às crianças hospitalizadas.
Sobre o homem preso, identificado pela companhia como Adriano Miguel, a nota afirma que ele é uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista, nível 2 de suporte.
A companhia também declarou que, segundo relato dele, o suspeito estaria em crise durante a abordagem e teria afirmado ter sido agredido por policiais.
O projeto informou que esses fatos serão apresentados às autoridades competentes para apuração.
“Confiamos na Justiça e acreditamos que todos os fatos serão esclarecidos. Pedimos que a população aguarde a conclusão das investigações antes de fazer julgamentos. Nossa missão de servir às crianças e suas famílias continua”, diz trecho da nota.
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