Suspeito de feminicídio diz ter problemas com álcool; Justiça mantém prisão e cita indiferença diante do crime

O suspeito José da Cruz Evangelista, preso por matar a companheira, Daiany Rodrigues de Souza, de 33 anos, a facadas em Confresa (MT), declarou à Justiça que é dependente de bebidas alcoólicas durante a audiência de custódia realizada no último sábado (5). Apesar do pedido da defesa para que ele respondesse ao processo em liberdade, a prisão foi mantida.

O homem se apresentou na delegacia acompanhado de um advogado horas após o crime. – Foto: Reprodução/Polícia Civil

Ao justificar a decisão, o Ministério Público destacou, entre outros pontos, que o suspeito demonstrou indiferença em relação ao crime durante a audiência, argumento considerado pelo juiz ao manter a prisão preventiva.

Durante a audiência, o homem informou que é dependente de bebidas alcoólicas e que havia consumido álcool momentos antes do crime. A declaração foi registrada pelo magistrado durante a qualificação do suspeito.

Os advogados sustentaram que José é réu primário, não possui antecedentes criminais, é aposentado, tem 63 anos e se apresentou espontaneamente na delegacia. A defesa também afirmou que ele sempre esteve à disposição da Justiça e pediu que ele respondesse ao processo em liberdade.

Como alternativa, caso o pedido fosse negado, solicitou ainda que ele fosse transferido para a unidade prisional de Vila Rica (MT), cidade onde vivem seus familiares.

Ao analisar o caso, o juiz manteve a prisão. Na decisão, ele destacou que o Ministério Público apontou a gravidade do crime, cometido com diversos golpes de faca, a agressão contra uma segunda vítima e o comportamento do investigado durante a audiência, classificando a postura dele como de indiferença em relação ao feminicídio.

O juiz também determinou que a Polícia Civil conclua o inquérito em até 10 dias, prazo contado a partir da prisão do investigado, para que a investigação seja finalizada e encaminhada ao Judiciário.

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Dayane é a sexta vítima de feminicídio em Confresa entre 2019 e 2026- Foto: Reprodução

Suspeito havia acionado a Justiça contra a companheira por disputa de bens

Meses antes de ser preso pelo assassinato de Daiany, o suspeito havia recorrido à Justiça em uma disputa envolvendo a vítima. O processo foi aberto na 2ª Vara de Porto Alegre do Norte (MT) e trata de um pedido para reaver móveis e eletrodomésticos que, segundo ele, foram adquiridos antes do início do relacionamento e permaneceram na residência da mulher.

Na ação, José afirma que viveu com Daiany entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e que, ao deixar o imóvel, não conseguiu retirar os bens. Para sustentar o pedido, anexou notas fiscais dos produtos, que somam cerca de R$ 29,3 mil, e alegou que a ex-companheira mantinha a posse exclusiva dos itens.

A ação, no entanto, não avançou. Ao analisar o pedido, a juíza entendeu que José não comprovou ter direito à gratuidade da Justiça e determinou que ele apresentasse documentos que demonstrassem sua situação financeira ou efetuasse o pagamento das custas processuais em até 15 dias. Como nenhuma das exigências foi cumprida, o processo não teve prosseguimento.

Vídeo mostra ameaça antes do crime

A decisão judicial pela manutenção da prisão foi divulgada no mesmo dia em que veio a público um vídeo gravado pela própria vítima. Nas imagens, divulgadas nesta segunda-feira (6), Daiany questiona José sobre supostas ameaças e afirma que ele teria colocado uma faca em seu pescoço.

Inicialmente, o suspeito nega a acusação. No entanto, durante a conversa, admite que pensou em matar a companheira e, em seguida, tirar a própria vida.

“Eu pensei em matar você, eu falei assim: ‘Não, para mim sofrer na cadeia não’. A minha intenção então é te matar e me matar. Eu tenho essa intenção”, afirma José na gravação.

Na sequência, Daiany pergunta por que ele queria matá-la. O homem insiste na ideia e responde que os dois deveriam “ir juntos”. O vídeo foi registrado pela própria vítima dias antes do crime.

Como o crime aconteceu

De acordo com a investigação, José e Daiany estavam ingerindo bebida alcoólica em um estabelecimento comercial na madrugada de sexta-feira (4), quando ele consultou o aplicativo do banco e percebeu uma movimentação de R$ 1 mil na conta. Em seguida, questionou a companheira e sacou uma faca que escondia na cintura.

O proprietário do local tentou impedir a agressão e acabou ferido no braço. Logo depois, Daiany correu para um dos quartos da residência, mas foi perseguida pelo suspeito, que desferiu diversos golpes de faca, a maioria pelas costas. Ela morreu ainda no local.

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