Levado a julgamento nesta quarta-feira (15), João Vitor de Souza Mendes foi condenado a 44 anos, 5 meses e 10 dias de prisão pelos assassinatos dos adolescentes Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz Grizahay, ambos de 13 anos, e pela tentativa de homicídio de Pedro Henrique Silva Rodrigues, durante um atentado no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. O crime ocorreu em 3 de maio de 2024.
João Vitor era o único dos cinco réus que ainda não havia sido condenado. O processo dele foi desmembrado do caso principal e o julgamento foi adiado duas vezes após a defesa apresentar atestado médico. Com isso, a defesa passou a ser feita pela Defensoria Pública.
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A pena teve como atenuante a idade, uma vez que João Vitor tinha menos de 21 anos à época dos fatos. Ele também foi absolvido da acusação de posse ou porte de arma de uso restrito. Ainda assim, foi condenado a mais de 40 anos de prisão pelos dois homicídios e pela tentativa.
Penas aplicadas
- Tentativa de homicídio (Pedro Henrique Silva Rodrigues): 11 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão
- Homicídio de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke: 16 anos e 8 meses de reclusão
- Homicídio de Silas Ortiz Grizahay: 16 anos e 8 meses de reclusão
Indenizações
O juiz determinou indenização mínima total de R$ 35 mil:
- R$ 5 mil para Pedro Henrique Silva Rodrigues;
- R$ 15 mil para os familiares de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke;
- R$ 15 mil para os familiares de Silas Ortiz Grizahay.
Dinâmica do crime
Conforme o boletim de ocorrência, dois dos acusados estavam em uma motocicleta preta e passaram atirando na rua com a intenção de matar um jovem que vendia drogas próximo à esquina onde as vítimas estavam sentadas. O alvo correu em direção aos adolescentes, e os disparos acabaram atingindo Aysla e Silas.
Outros réus julgados
Pelos crimes, foram julgados em 5 de novembro de 2025 os acusados Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, Nicollas Inácio Souza da Silva, Rafael Mendes de Souza e George Edilton Dantas Gomes.
À epoca, o advogado de João Vitor alegou doença na época do julgamento, motivo pelo qual ele não participou do júri realizado em 2025.
O julgamento durou todo o dia e resultou na condenação de três réus: Kleverton, Nicollas e Rafael. George Edilton foi absolvido.
Nicollas foi condenado a 15 anos pela morte de Silas, 15 anos pela morte de Aysla e 10 anos pela tentativa de homicídio do verdadeiro alvo, totalizando 43 anos e 20 dias de reclusão, além de 25 dias-multa.
Kleverton, apontado como mandante do crime, foi condenado a 14 anos de reclusão apenas pela tentativa de homicídio do homem que era alvo dos disparos. Rafael foi condenado pelo mesmo crime e por receptação, já que a motocicleta usada pelos autores era furtada e foi encontrada com ele. A pena foi de 11 anos de prisão.
Os réus também foram condenados ao pagamento de indenização por dano moral mínimo: R$ 5 mil à vítima sobrevivente e R$ 15 mil aos familiares de Aysla e Silas.