Plano Safra deve ser anunciado em junho e pode chegar a R$ 625 bilhões

O governo federal trabalha para lançar, em junho, o novo Plano Safra 2026/2027 com cifras que podem alcançar até R$ 625 bilhões, conforme sinalizou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O anúncio, considerado um dos mais aguardados pelo agronegócio, deve vir acompanhado de desafios importantes, principalmente relacionados ao custo do crédito rural.

A reunião contou com a liderança da presidente do Conselho, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também debateu os detalhes do Plano Safra.- Foto: Beatriz Batalha/MAPA

A declaração foi feita nesta segunda-feira (4), durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em sua primeira participação no colegiado desde que assumiu o ministério, André de Paula reforçou a intenção de manter diálogo direto com o setor produtivo e atuar como ponte entre o agro e o governo federal.

Durante o encontro, representantes de diferentes segmentos do agronegócio, incluindo instituições financeiras que operam o Plano Safra, apresentaram demandas e preocupações. Um dos principais pontos levantados foi a limitação ao crédito para produtores que constam no sistema do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

Segundo o setor, cerca de 28% dos produtores que já acessaram crédito rural podem ser impactados por essas restrições, inclusive em situações em que pendências ambientais já foram regularizadas, mas ainda permanecem registradas devido à metodologia anual de análise do sistema.

Outro tema central foi o impacto das taxas de juros elevadas sobre o financiamento agrícola. O ministro reconheceu que esse é hoje o principal entrave para a efetividade do Plano Safra, destacando que números robustos, por si só, não garantem acesso ao crédito.

CNA diz que jornada de trabalho reduzida vai trazer prejuízos à agricultura
Os produtores seguem de olho no impacto das taxas de juros para minimizar o impacto do endividamento de produtores. – Foto: Rodolfo Perdigão/Secom

“O esforço do governo precisa estar alinhado a soluções que permitam, de fato, o acesso do produtor ao crédito. Caso contrário, mesmo números expressivos podem não se traduzir em efetividade”, afirmou.

Expectativa para o novo plano

A expectativa do governo é construir um plano mais robusto que o da safra anterior, que contou com R$ 516 bilhões. A proposta pode se aproximar do pleito apresentado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que solicitou R$ 625 bilhões para o próximo ciclo.

No documento, a entidade defende maior previsibilidade orçamentária, planejamento plurianual e reforço à saúde financeira do produtor rural. Entre as prioridades estão a ampliação do acesso ao crédito, fortalecimento dos mecanismos de renegociação de dívidas e aumento dos recursos destinados ao seguro rural.

A proposta da CNA também prevê a destinação de R$ 104,9 bilhões para a agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões para a agricultura empresarial, dentro do crédito rural tradicional.

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