Operação que mirou TCE-MT apreendeu R$ 4,3 milhões, 167 relógios, 112 garrafas de vinho, armas e carros; veja balanço

A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (30) um balanço final sobre os resultados da Operação Tomada de Contas deflagrada na quinta-feira (29) e que resultou na prisão do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) Sérgio Ricardo de Almeida e de mais cinco servidores, em Cuiabá. Além das prisões e medidas cautelares, houve ainda cumprimento de mandados de busca e apreensão de celulares, carros de luxo, armas, valores em dinheiro vivo de Real e moedas estrangeiras, e também de garrafas de vinho.

Caixas e montantes de dinheiro em espécie são apreendidos nas casas dos investigados durante Operação Tomada de Contas, pela Polícia Federal. – Fotos: PF

As prisões e apreensões foram realizadas ao longo da quinta-feira (29). Devido à grande quantidade de dinheiro em espécie apreendido com os investigados em maços e caixas, os valores foram contabilizados até o fim do dia.

Segundo a Polícia Federal, também foram registrados um flagrante relacionado a armas e um termo circunstanciado relacionado a drogas. Veja o resultado do balanço final:

  • Presos: 6
  • Celulares apreendidos: 27
  • Veículos: 31
  • Armas: 16
  • Munições: 6512
  • Reais: R$ 4.360.607,00
  • Dólares: U$106.865,00
  • Euros: E$19.870,00
  • Libras esterlinas: 2.000,00
  • Pesos argentinos: 3.650,00
  • Relógios: 167
  • Garrafas de vinho: 112
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Dezenas de relógios de luxo são apreendidos pela Polícia Federal durante Operação Tomada de Contas. – Fotos: PF

Com a cotação do dólar a R$ 5,45 nesta sexta-feira (30), o montante de U$ 106.865 apreendidos pela PF equivale a R$ 582.429,25. Já a cotação do euro a R$ 6,09 hoje, o valor de E$19.870 apreendido é de R$ 120.978,30.

As 2.000 libras esterlinas, hoje cotada em a R$ 7,30, equivalem a R$ 14.600, e os 3.650 pesos argentinos equivalem a R$ 12,78.

Participaram da ação mais de 180 policiais federais na operação autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As ações ocorreram em Mato Grosso e também em Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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Veículos de luxo também são apreendidos durante Operação da Polícia Federal que mirou TCE-MT. – Fotos: PF

A investigação apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre fornecedores e de tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos. Os fatos podem configurar crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também são investigadas divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores públicos e saques recorrentes em espécie, com possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências da instituição.

Entre os presos estão:

  • Presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo
  • Secretária executiva do TCE-MT, Roseli Loss
  • Consultor Jurídico-Geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira
  • Adriangelo Barros Antunes
  • Gustavo Fernandes da Silva
  • Felipe José Glinke
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Sérgio Ricardo, Roseli Loss, Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Adriangelo Barros Antunes — Foto: Montagem/g1

Segundo decisão do STJ que autorizou a operação, foram identificados R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras suspeitas relacionadas a um suposto esquema de corrupção no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).

Sérgio Ricardo é apontado pela Polícia Federal como possível líder da estrutura investigada. Em menos de dez meses, os investigadores identificaram R$ 15,4 milhões em créditos bancários destinados ao presidente do TCE-MT.

No mesmo período, foram registrados 150 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 15,6 milhões. Desse total, 64 retiradas ocorreram diretamente na boca do caixa, movimentando R$ 15,47 milhões. Outras 86 foram realizadas em terminais de autoatendimento.

Além da prisão de Sérgio Ricardo e dos 5 servidores, o STJ determinou o afastamento das funções públicas quatro dos sete conselheiros do TCE-MT, sendo eles: Guilherme Antonio Maluf, Alisson Carvalho de Alencar, José Carlos Novelli e o aposentado Valter Albano da Silva, que atua em outro setor do Tribunal.

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Os conselheiros Guilherme Antonio Maluf, Alisson Carvalho de Alencar, José Carlos Novelli e o aposentado Valter Albano da Silva, do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), foram afastados das funções.

Segundo a decisão do STJ, Guilherme Antônio Maluf teria recebido R$ 10,6 milhões por meio das ordens bancárias investigadas, sendo R$ 9,7 milhões em 64 operações avulsas. À época, ele exercia a função de corregedor-geral do TCE-MT.

José Carlos Novelli teria recebido R$ 8,87 milhões, dos quais R$ 7,37 milhões foram pagos por meio de 78 ordens bancárias avulsas. A investigação também identificou que, a partir de setembro de 2025, seu genro, Vitor Turri Romano, e Márcio Silvério passaram a receber pagamentos nos mesmos lotes de transmissão das ordens. Além disso, foi identificada uma holding patrimonial, a JC Holding Ltda., constituída por Novelli e seus cinco filhos.

Já Alisson Carvalho, que foi procurador de Contas até dezembro de 2025 e assumiu como conselheiro do TCE-MT no mesmo mês, teria recebido R$ 8,18 milhões em pagamentos investigados, incluindo parcelas mensais de R$ 150 mil. A investigação também identificou uma holding familiar com capital de R$ 3,47 milhões.

Ainda segundo a decisão do STJ, Valter Albano da Silva, conselheiro aposentado, teria recebido R$ 6,6 milhões por meio de pagamentos investigados, dos quais R$ 4,9 milhões foram transferidos em 55 ordens bancárias avulsas. Embora aposentado, ele teria permanecido como titular de uma comissão permanente.

Outro lado

Até o momento, as defesas dos investigados não se manifestaram ou emitiram nota pública à sociedade e imprensa sobre os desdobramentos da investigação.

Já o TCE-MT, enquanto instituição, informou em nota que adotará todas as providências necessárias ao cumprimento das determinações da Justiça e assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais.

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