Lula envia três ministros a MS após ameaças contra comunidades indígenas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a visita de comitiva com três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar de perto denúncias de ameaças contra comunidades indígenas no sul do estado. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (30) pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

Eloy Terena, secretário executivo do Ministério dos Povos Indígenas. (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

A mobilização ocorre após a divulgação de áudios com ameaças contra moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul. As gravações começaram a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em grupos de WhatsApp.

Em uma das falas atribuídas a um servidor da prefeitura de Tacuru, que não teve o nome divulgado, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos indígenas. “Tem que matar essas pragas na água”, em referência aos moradores da comunidade.

Em entrevista ao g1, o ministro revelou que Lula ligou para ele para saber quais medidas já haviam sido tomadas diante das denúncias. Durante a conversa, o ministro informou sobre a criação de uma força-tarefa, o envio da Força Nacional e a abertura de investigações.

Após ouvir as explicações, o presidente pediu que os representantes do governo federal fossem até os territórios indígenas para acompanhar a situação.

“Ele pediu para nós descermos no território para acompanhar de perto.”

Eloy Terena

Além de Eloy Terena, a comitiva será formada pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

A previsão é que a comitiva chegue a Dourados no início da noite desta sexta-feira. No sábado (31), eles devem visitar duas comunidades: a aldeia Taquapiri, em Coronel Sapucaia, e a aldeia Sassoró, em Tacuru.

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Ministros Eloy Terena, Janine Mello e Wellington César Lima e Silva seguem para MS após ameaças a indígenas (Foto: Reprodução)

Providencias

Entre as providências anunciadas pelo governo federal estão o reforço da segurança nas comunidades, a atuação da Força Nacional e a abertura de inquéritos para investigar os episódios.

A Força Nacional já começou a fazer patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

Segundo o ministro, as equipes estão nas comunidades Sassoró, em Tacuru, Taquapery e Limão Verde.

Além disso, a Prefeitura de Tacuru afastou dois funcionários por envolvimento nas ameaças. Conforme apurado pela reportagem, um deles atuava como motorista e o outro na coleta de resíduos do município. Os dois devem responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Segundo o procurador-geral do município de Tacuru, Clederson Lopes, nenhum dos dois suspeitos atua no abastecimento de água das aldeias. “Reforçou que tais servidores não fazem parte de qualquer relação com abastecimento de água; e que o município está aberto a esclarecimentos das esferas do poder público.”

O Ministério Público Federal (MPF) também acompanha o caso, e a Polícia Federal foi acionada para investigar a origem e a autenticidade das gravações, identificar os envolvidos e verificar se houve prática de crimes.

Enquanto isso, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) afirmou que não procede a informação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado. Em nota, informou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas.

Até o momento, não há comprovação de que a água consumida pelos moradores tenha sido contaminada.

Aldeia Tacuru
Casa de Reza na Aldeia Sassoró, em Tacuru (MS). (Foto: Reprodução/Edson Lopes)

Outras denúncias de violência em MS

Além do caso de Tacuru, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) relatou outros episódios de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul após as eleições.

Entre as denúncias estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também mencionou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Nioaque.

A APIB encaminhou denúncias ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a órgãos do governo federal. A organização pediu a investigação dos episódios e a adoção de medidas para proteger as comunidades.

Morte em Japorã

Em meio à série de denúncias e violência contra indígenas no estado, a Polícia Civil investiga a morte de um homem de 40 anos encontrado nesta sexta-feira (30) sob as arquibancadas do estádio de futebol da Aldeia Porto Lindo, em Japorã.

A vítima, identificada como Damácio Moraes, apresentava lesões aparentes na cabeça e no pescoço. Policiais foram até o local, acompanhados pelo delegado titular da delegacia do município, e o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Naviraí, onde passará por exame necroscópico.

Até o registro do boletim de ocorrência, não haviam sido identificadas testemunhas presenciais nem câmeras de monitoramento na região do crime.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso está sob investigação e que, até o momento, não há elementos conclusivos para estabelecer as circunstâncias do homicídio. A hipótese de uma briga entre pessoas da própria comunidade foi mencionada, mas ainda não foi confirmada.

A Aldeia Porto Lindo fica na Terra Indígena Porto Lindo e é habitada pelo povo Guarani Ñandeva.

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