Grávida, mulher que denunciou estupro em delegacia de Sorriso é presa em hospital e passa um dia detida

A mulher que denunciou ter sido estuprada por um investigador da Polícia Civil dentro da Delegacia de Sorriso foi presa na segunda-feira (22), enquanto recebia atendimento no Hospital Regional do município. Grávida e sob acompanhamento médico devido a uma gestação de risco, ela foi alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça.

No entanto, o juiz da 5ª Vara Criminal de Sinop, Anderson Clayton Dias Batista, revogou a prisão após a audiência de custódia, também nesta segunda, colocando ela em liberdade, mas usando tornozeleira eletrônica.

Mulher que denunciou estupro foi presa em hospital e solta após ser ouvida pela Justiça. – Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

“Expeça-se alvará de soltura à custodiada, devendo a mesma ser advertida de que o não cumprimento de qualquer dessas medidas cautelares implicará em decretação de sua prisão preventiva”, determinou o juiz.

O caso

Segundo a Polícia Militar, os agentes atendiam outra ocorrência no Hospital Regional quando foram informados sobre a existência de um mandado de prisão em aberto contra a mulher que estava internada no local. Após a confirmação da ordem judicial, ela foi detida e encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Sorriso.

De acordo com a PM, o mandado está relacionado a investigações por crimes de cárcere privado, tortura e sequestro. A mulher estava acompanhada da mãe e de um advogado no momento da prisão e permanece à disposição da Justiça.

O caso não tem relação com a denúncia de violência sexual registrada por ela no fim do ano passado. Na ocasião, a mulher afirmou ter sido estuprada dentro da própria delegacia por um investigador da Polícia Civil enquanto estava presa.

delegacia de sorriso
Mulher acusou investigador da Polícia Civil de estupro em Sorriso. – Foto: Reprodução

O policial apontado como autor é Manoel Batista da Silva, de 52 anos, que foi preso preventivamente durante as investigações. Conforme a Polícia Civil, exames periciais apontaram compatibilidade entre o material genético coletado da vítima e o do investigador.

Em fevereiro deste ano, um laudo da Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec)confirmou a ocorrência de conjunção carnal entre os dois. Com base no conjunto de provas reunidas durante a investigação, o policial foi indiciado por estupro.

As investigações sobre a denúncia de violência sexual e os crimes atribuídos à mulher tramitam separadamente e, até o momento, não há indicação de ligação entre os dois casos.

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