A mulher que denunciou ter sido estuprada por um investigador da Polícia Civil dentro da Delegacia de Sorriso foi presa na segunda-feira (22), enquanto recebia atendimento no Hospital Regional do município. Grávida e sob acompanhamento médico devido a uma gestação de risco, ela foi alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça.
No entanto, o juiz da 5ª Vara Criminal de Sinop, Anderson Clayton Dias Batista, revogou a prisão após a audiência de custódia, também nesta segunda, colocando ela em liberdade, mas usando tornozeleira eletrônica.
“Expeça-se alvará de soltura à custodiada, devendo a mesma ser advertida de que o não cumprimento de qualquer dessas medidas cautelares implicará em decretação de sua prisão preventiva”, determinou o juiz.
O caso
Segundo a Polícia Militar, os agentes atendiam outra ocorrência no Hospital Regional quando foram informados sobre a existência de um mandado de prisão em aberto contra a mulher que estava internada no local. Após a confirmação da ordem judicial, ela foi detida e encaminhada à Delegacia de Polícia Civil de Sorriso.
De acordo com a PM, o mandado está relacionado a investigações por crimes de cárcere privado, tortura e sequestro. A mulher estava acompanhada da mãe e de um advogado no momento da prisão e permanece à disposição da Justiça.
O caso não tem relação com a denúncia de violência sexual registrada por ela no fim do ano passado. Na ocasião, a mulher afirmou ter sido estuprada dentro da própria delegacia por um investigador da Polícia Civil enquanto estava presa.

O policial apontado como autor é Manoel Batista da Silva, de 52 anos, que foi preso preventivamente durante as investigações. Conforme a Polícia Civil, exames periciais apontaram compatibilidade entre o material genético coletado da vítima e o do investigador.
Em fevereiro deste ano, um laudo da Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec)confirmou a ocorrência de conjunção carnal entre os dois. Com base no conjunto de provas reunidas durante a investigação, o policial foi indiciado por estupro.
As investigações sobre a denúncia de violência sexual e os crimes atribuídos à mulher tramitam separadamente e, até o momento, não há indicação de ligação entre os dois casos.
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