O que era para ser apenas uma extração dentária de rotina acabou se transformando em um drama que já dura mais de seis meses na vida da líder comunitária cuiabana Nilda Lopes Costa, de 46 anos, conhecida como “Tosca”. Após uma agulha quebrar durante a aplicação de anestesia em um procedimento odontológico, ela passou por cinco cirurgias, desenvolveu paralisia facial e ainda enfrenta sequelas que comprometem atividades simples do dia a dia.
O caso aconteceu no dia 7 de novembro de 2025, em uma clínica odontológica particular de Cuiabá. Segundo Nilda, ela procurou atendimento apenas para retirar um dente, mas foi informada logo após o procedimento de que parte da agulha utilizada na anestesia havia se rompido e permanecido alojada em seu rosto.
“Tudo começou em um procedimento que parecia simples e rotineiro. Depois da extração, fui informada de que a agulha havia quebrado durante a anestesia e parte dela ficou dentro do meu rosto”, relembra.

A partir daquele momento, a rotina da líder comunitária mudou completamente. Ela conta que passou a conviver com dores constantes, insegurança e forte abalo emocional enquanto aguardava novas tentativas cirúrgicas para retirada do fragmento metálico.
“Foram meses muito difíceis, de medo, angústia e incerteza. Eu vivia tomando medicamentos para suportar as dores e tentando manter a esperança de que tudo pudesse voltar ao normal”, afirma.
Cinco cirurgias e sequelas permanentes
Ao longo do tratamento, Nilda precisou passar por cinco cirurgias até que os médicos finalmente conseguissem retirar a agulha. Segundo ela, cada novo procedimento trazia esperança, mas também aumentava o medo diante das complicações.
“O momento mais difícil foi passar por tantas cirurgias sem saber se realmente conseguiria retirar a agulha e recuperar minha saúde. Cada procedimento trazia esperança, mas também muito medo, dor e insegurança”, relata.

Após a última intervenção, ela desenvolveu paralisia facial, situação que, segundo Nilda, provocou um choque emocional profundo. “Foi desesperador perceber que meu rosto não respondia mais da mesma forma. Pensei nos meus filhos, na minha vida, no meu trabalho e em tudo o que poderia mudar dali para frente”, diz.
Hoje, mesmo após a retirada da agulha, a líder comunitária afirma que ainda convive com sequelas físicas e emocionais. Entre os problemas relatados estão dificuldades para mastigar, beber água, falar normalmente e sorrir. “Coisas simples do dia a dia acabaram se tornando difíceis. Cada atividade passou a exigir esforço e adaptação”, conta.

Além disso, ela afirma que um dos olhos não fecha completamente desde a paralisia facial, causando sintomas frequentes como ardência, vermelhidão, dores e sensação constante de areia nos olhos. Por conta disso, existe a possibilidade de uma sexta cirurgia reparadora. “Hoje ainda preciso continuar com tratamentos médicos, fisioterapia, terapias especializadas, medicamentos e acompanhamento constante para tentar recuperar movimentos e aliviar as dores”, explica.
Trabalho social foi interrompido
Conhecida no bairro pelas ações sociais e pelo trabalho comunitário, Nilda conta que precisou interromper parte das atividades que realizava por causa das dores e do longo período de recuperação.
Ela já atuou como presidente da Associação de Moradores do Bairro Serra Dourada e atualmente exerce função de liderança comunitária em ações sociais voltadas principalmente para famílias em situação de vulnerabilidade. “Sempre gostei de ajudar as pessoas e participar ativamente da comunidade. Mas precisei me afastar de muitas atividades que faziam parte da minha vida”, afirma.
Entre as ações interrompidas estavam projetos sociais desenvolvidos com moradores da região, incluindo eventos comunitários e distribuição de alimentos. “O que mais sinto falta é de conseguir viver sem dor e sem preocupação constante. Também sinto falta de sorrir normalmente e falar sem limitações”, relata.
Família e comunidade se tornaram rede de apoio
Durante todo o tratamento, Nilda afirma que encontrou força na família, especialmente nos filhos, além do apoio de moradores e amigos próximos. “Meus filhos e minha família sofreram muito junto comigo. Foram meses de preocupação, acompanhando internações, cirurgias e momentos difíceis. Mas eles foram minha maior força para continuar lutando”, diz.
A mobilização da comunidade também acabou se tornando essencial para ajudar nos custos do tratamento. “Receber o apoio das pessoas me emocionou muito. Ver tanta gente ajudando, orando e demonstrando carinho me deu esperança e mostrou que eu não estou sozinha”, afirma.
Uma das pessoas que acompanham a recuperação de Nilda é a servidora pública e escritora de literatura infantil Denis Moraes, amiga da líder comunitária há anos.

Segundo Denis, elas trabalharam juntas durante três anos na equipe gestora do em um Centro Municipal de Educação Infantil de Cuiabá e também participaram da produção do livro Bullying no Pantanal, ao lado da escritora Simone Alves.

“Quando soubemos do que aconteceu com a Nilda, acompanhamos todas as cirurgias, dando apoio moral e psicológico, porque ela ficou emocionalmente muito abalada e com o rosto bastante inchado”, relata.
Após a retirada da agulha, amigos passaram a organizar uma campanha solidária para ajudar nos custos do tratamento. “Como ela ainda precisa de muitas sessões de fisioterapia e outros tratamentos, decidimos organizar uma rifa. Conseguimos doações de brindes e agora estamos mobilizando amigos e apoiadores para ajudar”, explica Denis.
Rifa solidária busca ajudar no tratamento
Para auxiliar nas despesas médicas, amigos e lideranças comunitárias organizaram uma rifa solidária em apoio à recuperação de Nilda.
Cada número está sendo vendido por R$ 10. O sorteio será realizado no dia 30 de julho, às 19h, com três prêmios:
- Um telefone celular;
- Um jogo de panelas;
- Uma air fryer.
Os interessados em colaborar podem adquirir números diretamente com Nilda pelo telefone (65) 99983-9927.
Segundo Denis Moraes, a expectativa é de que a arrecadação ajude Nilda a continuar o tratamento e recuperar parte dos movimentos faciais. “Pensamos que mais sessões de fisioterapia poderão ajudá-la a voltar a sorrir novamente com mais alegria”, afirma.
Caso também virou ação judicial
Além da recuperação física, Nilda decidiu procurar a Justiça para buscar reparação pelos danos sofridos. Ela afirma que a ação judicial não tem apenas objetivo financeiro, mas também busca chamar atenção para a responsabilidade em procedimentos de saúde. “Espero que a Justiça reconheça todo o sofrimento, os danos físicos, emocionais e financeiros que enfrento até hoje”, diz.

Para ela, o caso também serve de alerta para que pacientes busquem informações sobre procedimentos e profissionais antes de realizarem atendimentos médicos ou odontológicos. “Acho que esse caso mostra a importância de haver responsabilidade e transparência quando acontece algum erro médico ou odontológico”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades e da possibilidade de novos procedimentos cirúrgicos, Nilda diz que tenta manter a esperança na recuperação. “O que tem me dado força é minha fé, meus filhos, minha família e o apoio das pessoas que torcem pela minha recuperação. São eles que me fazem continuar acreditando que dias melhores ainda virão”, conclui.
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