A estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos, de 40 anos, assassinada com mais de 100 facadas em Barbacena (MG), no sábado (27), já havia denunciado o namorado por ameaças e comportamento obsessivo meses antes do crime. O suspeito, Gustavo Lima, de 25 anos, foi preso e teve a prisão preventiva decretada.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado por Letícia em 21 de fevereiro de 2026, ela relatou episódios de ciúmes excessivo e ameaças feitas pelo companheiro. O documento reforça a existência de um histórico de conflitos no relacionamento, que agora é investigado como feminicídio pela Polícia Civil.
No dia seguinte (28) ao crime, Gustavo foi localizado e preso em Bom Jardim de Minas, a cerca de 180 quilômetros de Barbacena, após tentar fugir.
Em audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Ele está detido no presídio de São João del Rei.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o nome do suspeito também aparece em outros processos, envolvendo perturbação da ordem, difamação e posse de drogas para consumo pessoal. A defesa informou, em nota, que não irá se manifestar neste momento.
Relação “abusiva e tóxica”
Uma amiga próxima da vítima, que convivia com Letícia há cerca de 17 anos, afirmou que o relacionamento era marcado por episódios de violência psicológica e comportamentos possessivos.
“Era um relacionamento abusivo e tóxico. Ele era manipulador, muito ciumento e possessivo”, relatou.
Segundo o depoimento, as ameaças teriam começado há aproximadamente dois a três anos, em um histórico de idas e vindas entre o casal. A amiga também revelou que um episódio de agressão já havia ocorrido em agosto de 2025, antes mesmo do registro formal do boletim de ocorrência.
Apesar das denúncias, a estudante não acreditava que o namorado seria capaz de matá-la. “Ela não acreditava no que ele era capaz de fazer”, disse.
Tentativa de despistar investigação
Ainda conforme o relato da amiga, o suspeito teria tentado simular um roubo após o crime para despistar a investigação. O casal participou de um evento da faculdade na sexta-feira (26), saiu para jantar com o pai dele e seguiu para o apartamento da vítima.
“Depois do crime, ele fugiu pela manhã, ligou para amigas dela perguntando onde ela estava e respondeu mensagens como se fosse a Letícia. Também levou o celular, carteira e cartão dela, escondendo o aparelho dentro do sapato”, afirmou.

A perícia inicial apontou que os golpes foram concentrados principalmente na cabeça, pescoço e costas, indicando que a vítima tentou se defender. Segundo a amiga, mais de uma faca teria sido utilizada na agressão. “Foi uma barbaridade”, disse.
A motivação do crime ainda não foi oficialmente determinada. A Polícia Civil informou que apura o caso como feminicídio e que mais detalhes não serão divulgados neste momento para não comprometer as investigações.
Quem era a vítima
Natural de Montes Claros, Letícia era aluna da Faculdade de Medicina de Barbacena e estava próxima de concluir o curso. Em 2025, ela chegou a celebrar a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), etapa final da graduação.
Letícia deixa dois filhos, de 16 e 11 anos. Ela também cuidava da mãe, que sofreu um AVC hemorrágico no fim do ano passado. A estudante de medicina foi sepultada na segunda-feira (29), em Barbacena.
