Vídeo revela movimentação em casa onde engenheiro matou esposa a facadas e feriu filha em MT

Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, nesse domingo (6), mostra a movimentação na casa de Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, morta a facadas pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, em junho do ano passado, em Lucas do Rio Verde (MT). A filha do casal também foi ferida pelo pai.

As gravações registram conversas da família nos dias que antecederam o crime e também ajudam a reconstruir momentos vividos no local antes do ataque. Nas imagens, Daniel aparece pegando uma faca na cozinha e indo até o quarto, onde ataca esposa e filha.

Na sequência, ele volta para a sala, coberto de sangue. Outras pessoas, que seriam familiares, chegam no local e iniciam os primeiros socorros à criança, que aparece desacordada. Gritos de desespero são ouvidos nesse momento, enquanto Daniel anda pela casa com as mãos na cabeça e tenta limpar as manchas de sangue do chão.

Na publicação, o advogado afirma que as imagens mostram discussões entre Gleici e o marido, envolvendo questões financeiras. Em um dos trechos, aparecem conversas sobre dinheiro e objetos da casa.

Na legenda, o advogado afirma que “as câmeras registraram tudo” e sustenta que o crime teria sido “resultado de uma escolha” e não provocado por um surto, como atestou um laudo emitido pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), em julho deste ano.

Na foto, o suspeito Daniel Frasson, ao lado da mulher, Gleici Oliboni, de 42 anos, e da filha de 7 anos – Foto: Reprodução

O crime

A publicação também relembra que Gleici foi morta com 21 golpes de faca enquanto dormia e que a filha do casal, de 7 anos, foi atingida por oito facadas. Ambas estariam dormindo juntas quando foram atacadas.

Após o crime, Daniel tentou tirar a própria vida e precisou de atendimento médico, conforme a polícia. A criança também foi socorrida e internada em estado grave.

Na época, equipes da Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e da Politec foram acionadas para atender a ocorrência.

Gleici Oliboni, de 42 anos, foi assassinada em casa. - Foto: Facebook/Reprodução
Gleici Oliboni, de 42 anos, foi assassinada em casa. – Foto: Facebook/Reprodução

Ainda na época, surgiram relatos de que o engenheiro agrônomo sofria de depressão e apresentava sinais de instabilidade emocional. Segundo o sargento Wellington Dalbem, da Polícia Militar, havia ainda a informação de que Daniel teria entrado em surto após perder o emprego.

A hipótese, porém, ainda é investigada pelas autoridades.

A perícia encontrou a casa revirada e sangue espalhado por diferentes cômodos. O cenário indicava que Gleici teria tentado se defender antes de ser morta.

Laudos apontaram transtornos psiquiátricos

Meses depois, a investigação ganhou um novo elemento. Em julho deste ano, um segundo laudo da Politec apontou diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar em Daniel Frasson.

Conforme apuração do Primeira Página, o documento reiterou o resultado de um primeiro procedimento realizado em 2025 e concluiu pela inimputabilidade do engenheiro.

Gleici Oliboni, de 42 anos, foi morta a facadas. O suspeito é o marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson. (Foto: Reprodução)
Gleici Oliboni, de 42 anos, foi morta a facadas pelo marido, no ano passado. – Foto: Reprodução

A inimputabilidade significa que, segundo a avaliação pericial, a pessoa não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito do próprio ato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento no momento do crime, condição que pode afastar a responsabilização penal convencional.

O segundo laudo foi concluído em 22 de junho e anexado ao processo. Agora, cabe à Justiça analisar o documento e definir os próximos encaminhamentos, entre eles a manutenção da internação psiquiátrica, diante da avaliação de que Daniel não estaria em condições de retornar ao convívio social.

Segundo as informações obtidas pela reportagem, enquanto estava internado em uma unidade psiquiátrica de Cuiabá, Daniel apresentava episódios em que dizia ouvir vozes e também tinha ideações suicidas.

Apesar dos apontamentos periciais, a motivação do crime ainda é investigada.

Filha sobreviveu aos ataques

A filha do casal, de 7 anos, também foi vítima do ataque e precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros.

Devido à gravidade dos ferimentos, ela foi transferida para um hospital de Cuiabá, onde permaneceu internada em estado grave por dois dias. Durante a internação, apresentou complicações nos rins, mas familiares relataram que ela teve leves sinais de melhora e permaneceu estável sob acompanhamento médico.

Prisão de Daniel

Após o crime, Daniel permaneceu internado para receber atendimento médico. A prisão preventiva dele foi determinada pela Justiça posteriormente. Ele recebeu alta hospitalar na segunda-feira cerca de quatro dias após o crime e foi encaminhado ao Centro de Ressocialização de Sorriso, onde passou a cumprir prisão preventiva.

Daniel foi autuado por feminicídio contra Gleici e tentativa de homicídio qualificado contra a filha, em contexto de violência doméstica.

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