Um estudo conduzido pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a empresa Sooro Renner Nutrição, mapeou a pegada de carbono do soro de leite no Brasil e redefiniu critérios para medir o impacto ambiental do produto. A análise permite identificar pontos críticos de emissão de gases de efeito estufa e ampliar a transparência na cadeia produtiva.
-
Novo projeto monitora emissões de CO2 na soja por satélite em MT
-
Sistema com drones define momento ideal de abate no confinamento
-
Leite A2A2 ganha espaço e chama atenção pela digestão mais leve
O levantamento mostra que o soro em pó, antes tratado como resíduo, ganhou importância econômica e hoje é utilizado na indústria de alimentos, especialmente em produtos como suplementos nutricionais e itens de panificação.
Coordenado pelo professor Fábio Puglieri, da UTFPR, o estudo utilizou a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). A ferramenta considera todas as etapas produtivas, desde a produção do leite até o processamento industrial.
A análise inclui a produção do leite in natura, o transporte e as etapas industriais, até a obtenção do soro em pó (whey protein). Com isso, foi possível avaliar de forma integrada toda a cadeia láctea.
Análise do soro de leite
A metodologia também integrou diferentes fases da produção em uma única avaliação. Isso permitiu identificar os principais pontos de emissão de gases de efeito estufa, incluindo transporte e processos industriais.
“Assim é possível identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, afirmou o pesquisador da Embrapa, Thierry Ribeiro Tomich.
A pesquisa foi dividida em duas etapas:
- Na primeira etapa, foram analisados os sistemas de produção de leite dos fornecedores da Sooro, considerando diferenças regionais e tecnológicas.
- Na segunda etapa, o foco foi a indústria e o transporte, com a coleta de dados sobre os processos de industrialização da empresa e de laticínios parceiros.

Os dados gerados foram reunidos nos Inventários de Ciclo de Vida (ICV) e disponibilizados na plataforma SICV Brasil, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), com acesso gratuito.
Descarte ainda preocupa
O soro de leite ainda é considerado um desafio ambiental para a indústria de laticínios. Isso porque possui alta carga orgânica, medida pela Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) — nível de poluição na água. Quando descartado de forma inadequada em rios, reduz rapidamente o oxigênio disponível.
Esse processo pode causar a morte de peixes e provocar desequilíbrios no ecossistema aquático. Além disso, o soro contém lactose e proteínas que, sem processamento, se tornam um passivo ambiental.

Ao transformar o soro em um ingrediente de maior valor, a indústria reduz riscos de contaminação e evita o desperdício de nutrientes que já demandaram água, energia e terra para serem produzidos.