Secel-MT oficializa tombamento do Solar dos Müller, casarão histórico de 1898 no centro de Cuiabá

A salvaguarda da memória arquitetônica da capital e a consolidação de instrumentos jurídicos de proteção ao patrimônio edificado ganharam um marco histórico. O Solar dos Müller foi oficialmente declarado Patrimônio Histórico e Artístico Estadual por meio de uma portaria editada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O casarão secular, datado de 1898 e encravado no coração do centro histórico metropolitano, passa a contar com blindagem jurídica permanente contra demolições, descaracterizações ou abandono estrutural.

A chancela técnica foi chancelada após parecer favorável unânime emitido pelo Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, referendando o valor simbólico, documental e estético do imóvel para a historiografia regional.

Casarão abrigou o ex-governador Júlio Müller e a escritora Maria de Arruda Müller

Erguido nos estertores do século XIX, o imponente edifício funciona como um documento vivo das soluções de engenharia residencial adotadas pela elite mato-grossense na transição para o período republicano. O Solar serviu como residência oficial da tradicional família Müller, funcionando como polo de decisões políticas na época em que foi habitado por Júlio Müller, que governou e atuou como interventor federal em Mato Grosso entre os anos de 1937 e 1945. O espaço também foi lar de Maria de Arruda Müller, influente professora, escritora e poetisa que liderou movimentos intelectuais e educacionais no estado.

Geograficamente, a estrutura está fincada na esquina da Rua Campo Grande com a Rua Comandante Costa. De acordo com os laudos técnicos assinados pela Superintendência de Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico da Secel, o casarão ostenta traços da vertente Colonial Bandeirista, caracterizando-se por:

  • Alvenaria Tradicional: Paredes robustas erguidas com a técnica de adobe (tijolos de terra crua, água e palha secados ao sol), que garantem excelente isolamento térmico;
  • Adaptação Climática: Sistemas de porão ventilado, projetados especificamente para criar colchões de ar frio e amenizar as altas temperaturas e a umidade do solo cuiabano;
  • Planta Funcional: Disposição espacial em formato de “L”, voltada para um pátio interno que otimiza a captação de iluminação solar e ventilação cruzada natural;
  • Cobertura Vernácula: Beirais prolongados guarnecidos por telhas cerâmicas coloniais do tipo “capa e canal”, moldadas originalmente nas coxas de trabalhadores da época.

Lei Estadual nº 11.323/2021 garante incentivos fiscais e editais para restauro

Com a publicação da portaria no Diário Oficial, o Solar dos Müller fica submetido ao regime de vigilância e fiscalização compartilhada entre o poder público e os seus proprietários legais. A partir deste ato administrativo, qualquer intervenção física, reforma decorativa, reparo estrutural ou pintura na fachada depende obrigatoriamente de estudos de impacto, análise arquitetônica e autorização expressa do corpo de engenharia da Secel-MT.

Por outro lado, o tombamento abre portas para mecanismos de fomento financeiro e isenções. Sob a égide da Lei Estadual nº 11.323/2021, os gestores do imóvel passam a ter direito de pleitear recursos diretos por meio de editais públicos de fomento cultural, além de possíveis incentivos fiscais voltados à manutenção predial.

A Secel-MT pontua que o resgate do Solar dos Müller enriquece os roteiros de turismo histórico-pedagógico da capital e garante que as futuras gerações compreendam a evolução urbana e social de Mato Grosso.

Reportagem baseada em atas de tombamento do Conselho Estadual de Cultura, inventários arquitetônicos da Secel-MT e diretrizes de incentivo da Lei Estadual nº 11.323/2021.

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