Rondonópolis usa armadilhas para localizar focos do Aedes aegypti

Uma nova estratégia começou a ser utilizada em Rondonópolis para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti. O município passou a instalar ovitrampas, armadilhas capazes de identificar onde o inseto está circulando antes mesmo do aumento dos casos de dengue. A proposta é utilizar os dados coletados para direcionar as equipes aos locais com maior concentração do vetor.

O aposentado Elias Vieira de Melo conhece de perto os impactos da doença. Ele conta que já teve dengue três vezes e, por isso, sempre permite a entrada dos agentes de saúde quando precisam fazer inspeções em sua casa.

Ovitrampas, armadilhas capazes de identificar onde o mosquito está circulando antes mesmo do aumento dos casos de dengue. – Foto: Marcos Miraglia/ Gcom Rondonópolis

“Teve um surto muito grande uma época que o pessoal trabalhou muito para combater, mas graças a Deus combateu e melhorou muito a nossa vida. Se nós lutar junto todo mundo vai ajudar muito a nossa saúde”, afirma.

Como funciona a armadilha

As ovitrampas são recipientes escuros que contêm uma solução atrativa à base de levedura de cerveja. O objetivo é atrair as fêmeas do mosquito, responsáveis pela postura dos ovos.

Dentro do recipiente há uma pequena paleta de madeira onde os ovos ficam depositados. Após sete dias, o material é recolhido e levado para análise em laboratório.

Segundo o supervisor-geral da Vigilância de Zoonoses, Thiago Onorio Scheavinato, a visita dos agentes passa a ser semanal nas casas que recebem a armadilha.

“Teve bastante casa que a gente encontrou mais de 100 ovos na paleta. Isso mostra que é uma área crítica, uma área quente”.

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Larga do mosquito Aedes aegypti, encontradas após implantação das armadilhas. – Foto: Marcos Miraglia/ Gcom Rondonópolis

Ovos indicam áreas de maior risco

No laboratório, os técnicos fazem a contagem manual dos ovos com auxílio de uma lupa. O resultado gera um índice que indica o nível de infestação em cada região.

De acordo com a bióloga Marília Mussy, quando uma armadilha registra mais de 100 ovos, o local recebe prioridade nas ações de combate ao mosquito.

“As ovitrampas servem como um termômetro. Elas mostram onde o Aedes está mais presente naquela região”.

No bairro Cidade de Deus, por exemplo, nenhuma armadilha apresentou ovos na coleta realizada durante a reportagem. Em outras áreas da cidade, porém, os índices são maiores.

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde, Vania Scapini, o planejamento da instalação das armadilhas foi baseado em um levantamento dos bairros que registraram mais casos de dengue e focos do mosquito nos últimos anos.

“A nossa meta é ampliar esse monitoramento gradativamente, porque exige uma logística de instalação, recolhimento e leitura das armadilhas”.

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Agentes da vigilância durante ação de fiscalização em Rondonópolis. – Foto: Marcos Miraglia/ Gcom Rondonópolis

Ferramenta complementa outras ações

Neste primeiro momento, cerca de 150 ovitrampas foram instaladas em Rondonópolis. A expectativa é ampliar o número de equipamentos para outras regiões do município.

Segundo a Vigilância em Saúde, as informações obtidas pelas armadilhas ajudam a definir onde concentrar equipes, intensificar visitas e avaliar se as ações adotadas estão reduzindo a infestação do mosquito.

Apesar da nova ferramenta, os cuidados dentro de casa continuam sendo considerados fundamentais para reduzir a transmissão da dengue. A orientação é eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas d’água fechadas, limpar calhas e evitar qualquer ambiente que possa servir de criadouro para o Aedes aegypti.

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