A Anvisa aprovou, nesta semana, o primeiro medicamento não hormonal no Brasil para tratar ondas de calor e suor noturno de intensidade moderada a intensa associados à menopausa. O remédio é o fezolinetanto, que será vendido pela Astellas Farma com o nome Veoza, em comprimido de uso diário.
A novidade pode beneficiar principalmente mulheres que não podem fazer terapia hormonal, como sobreviventes de câncer de mama, e pacientes que perderam a chamada “janela de oportunidade” para iniciar a reposição hormonal.
Segundo a ginecologista Dra. Fabiana Bersch, as ondas de calor vão além de um desconforto pontual. Em muitos casos, a mulher acorda durante a madrugada encharcada de suor ou enfrenta episódios de calor intenso em situações do dia a dia, como no ambiente de trabalho, sem ter encontrado uma alternativa segura de tratamento por anos.
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Os calores, também chamados de fogachos, e os suores noturnos estão entre os sintomas mais conhecidos do climatério. Eles podem afetar o sono, o humor, a memória e a produtividade, além de interferir diretamente na qualidade de vida.
Diferente da reposição hormonal, o fezolinetanto age no cérebro. Durante a menopausa, a queda do estrogênio interfere no controle da temperatura corporal. O medicamento bloqueia a ação exagerada da neurocinina B, substância ligada ao “termostato” interno do corpo, reduzindo a frequência e a intensidade das ondas de calor.
Para a médica, a aprovação representa uma alternativa importante para mulheres que até agora tinham poucas opções seguras. Entre elas estão pacientes que tiveram câncer de mama e, por orientação médica, não podem usar hormônios. Esse grupo, segundo Fabiana, muitas vezes convivia com os sintomas sem uma opção aprovada para tratar os calorões.
Outro grupo citado pela ginecologista é o de mulheres que passaram muitos anos sem tratamento após a menopausa. Nesses casos, iniciar a terapia hormonal tardiamente pode não ser recomendado, dependendo da avaliação médica. Com isso, muitas pacientes acabavam ficando sem alternativa para tratar os sintomas vasomotores.
Apesar do avanço, a médica alerta que o novo remédio não trata todos os efeitos da menopausa. A indicação é específica para ondas de calor e suor noturno. O medicamento não atua, por exemplo, sobre perda de massa óssea, secura vaginal, alterações no sono, humor ou saúde cardiovascular.

Por isso, a orientação é que a paciente passe por avaliação individual antes de iniciar qualquer tratamento. O uso do fezolinetanto exige acompanhamento médico e monitoramento do fígado.
A ginecologista também reforça que o remédio ainda não está disponível nas farmácias e não deve ser usado por conta própria. A indicação precisa considerar o histórico de saúde da paciente, possíveis contraindicações e acompanhamento durante o tratamento.
Para Fabiana, a aprovação amplia as possibilidades de cuidado em uma fase que ainda costuma ser negligenciada. A menopausa marca o fim da vida reprodutiva, mas não da vida produtiva, e quanto mais opções de tratamento e acompanhamento adequado a mulher tiver, melhor tende a ser sua qualidade de vida nos anos seguintes.
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