Se os 31,12 milhões de bovinos de Mato Grosso fossem colocados um atrás do outro, sem espaço entre os animais, a fila poderia ultrapassar 44 mil quilômetros – distância suficiente para dar uma volta completa ao redor da Terra.
A estimativa foi feita pelo Primeira Página com base no levantamento mais recente do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), referente a maio de 2026, e em estudos científicos sobre as dimensões do gado nelore.
Mato Grosso contabilizou 31,12 milhões de cabeças de gado em 2026, mantendo um dos maiores rebanhos bovinos do país.
Uma em cada quatro toneladas exportadas
Para o analista de Gestão da Informação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Valdecir Francisco Pinto Júnior, o tamanho do rebanho ajuda a explicar a importância de Mato Grosso dentro da cadeia brasileira da carne bovina.
Segundo ele, o estado concentra cerca de 14% do rebanho nacional e registrou, em 2025, o abate de 7,46 milhões de bovinos, volume correspondente a mais de 17% do total abatido sob inspeção no Brasil.
A participação de Mato Grosso é ainda maior quando se olha para o mercado internacional. De acordo com o analista, o estado responde por aproximadamente 24% das exportações brasileiras de proteína bovina, o equivalente a cerca de uma em cada quatro toneladas vendidas pelo país ao exterior.
Valdecir também destaca que a pecuária mato-grossense vem passando por um processo de intensificação, impulsionado pela integração com a agricultura, pela oferta de milho e de coprodutos, como o DDG, e pela expansão de sistemas como o confinamento e a chamada TIP, terminação intensiva a pasto.
Hoje, mais de 43% dos bovinos abatidos em Mato Grosso têm até 24 meses, indicador que aponta para a redução do ciclo produtivo.
Para o analista, Mato Grosso reúne escala, produtividade e competitividade e se consolidou não apenas como líder em tamanho de rebanho, mas como um dos principais polos de produção de proteína animal do Brasil, conectando a produção de grãos à pecuária de maior valor agregado e ao mercado internacional.
Como chegar aos 44 mil quilômetros?
Para fazer a comparação, consideramos um comprimento corporal médio de aproximadamente 1,44 metro por animal.
Um estudo realizado com 142 fêmeas da raça nelore encontrou comprimento corporal médio de 144,21 centímetros. Outro trabalho científico com vacas nelore adultas chegou a uma medida semelhante, de aproximadamente 1,38 metro.

A circunferência da Terra na região do Equador é de aproximadamente 40 mil quilômetros. Portanto, em uma comparação hipotética, a fila de bovinos mato-grossenses seria suficiente para circundar o planeta inteiro e ainda sobrariam quase 5 mil quilômetros.
A conta é apenas uma forma de dimensionar o tamanho do rebanho. Na prática, bois têm tamanhos diferentes e uma fila real teria espaços entre os animais.
São quase oito bois para cada morador
O número também impressiona quando comparado à população de Mato Grosso. Com pouco mais de 31 milhões de bovinos para uma população estadual de aproximadamente 3,9 milhões de habitantes, há cerca de oito cabeças de gado para cada morador do estado.
Rebanho encolheu em 2026
Apesar do tamanho, o plantel bovino mato-grossense caiu neste ano. O levantamento realizado durante a campanha de atualização de estoque do Indea apontou 31,12 milhões de animais em maio, redução de 1,62% na comparação com 2025.
A queda ocorreu principalmente entre as fêmeas. O número delas diminuiu 2,52%, enquanto o estoque de machos ficou praticamente estável. Entre as fêmeas com mais de 24 meses, o estado contabilizou 12,14 milhões de cabeças, menor patamar desde 2014.
Mesmo com a redução, Mato Grosso continua com enorme peso na pecuária brasileira. No primeiro trimestre de 2026, o estado respondeu por 17,5% de todos os bovinos abatidos no país, mantendo a liderança nacional nesse indicador.
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