Quem são delegado e policiais investigados por desviar cocaína em MS; veja lista

Em mais uma ação que investiga o desvio de drogas apreendidas em MS, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou a Operação Infiltrados II, nesta quinta-feira (5). Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão.

Delegado Guilherme Scucuglia já atuou no Garras (Foto: Geisy Garnes)
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Os alvos são um delegado da Polícia Civil de MS e oito policiais suspeitos de participar de um esquema de desvio de cocaína apreendida pela própria corporação, para abastecer o tráfico de drogas. 

Confira abaixo a lista dos alvos da operação:

  • Guilherme Scucuglia Cezar (delegado);
  • Rogério da Rocha Ferreira;
  • Rodrigo Carpes da Silva;
  • Anderson Mirandola;
  • Cassiano Rodrigues Teixeira;
  • Eumer Cordeiro Barbosa;
  • Oseias Medeiros da Silva;
  • Gustavo dos Santos Sayao;
  • João Marcos Garcia.

O caso já era investigado internamente há quatro meses, por meio de inquérito policial e Processo Administrativo Disciplinar (PAD). De acordo com a Polícia Civil, algumas medidas foram adotadas durante o trâmite, como remoções de servidores, mudanças nos procedimentos e fiscalização extraordinária na delegacia. 

Scucuglia foi alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público, os desvios ocorreram entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que todos os envolvidos estavam lotados na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron). 

Os agentes são suspeitos de retirar drogas durante as apreensões, diretamente do depósito da delegacia ou enquanto eram transportadas para incineração. Em seguida, os entorpecentes eram entregues a traficantes, responsáveis por colocá-las novamente no mercado ilegal. 

Em um dos casos, ocorrido em setembro de 2025, mais de 500 kg de cocaína que deveriam ter sido incinerados foram desviados pelos policiais. 

Essa é a segunda fase da operação, que em setembro levou à prisão o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, bem como o afastamento de outros sete policiais civis suspeitos de participação no crime. 

Hoffman e o investigador Douglas Tobias, presos naquela fase, também foram alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4). A investigação apura um esquema internacional de tráfico de drogas e armas, com suspeita de participação de policiais e ligação com facções criminosas.

O que diz a Sejusp

“A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que as possíveis irregularidades relacionadas aos fatos investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Infiltrados II, já eram objeto de apuração interna pela Corregedoria-Geral da instituição há aproximadamente quatro meses, por meio de Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Desde o início das apurações, foram adotadas medidas administrativas e correcionais, incluindo adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e realização de correição extraordinária na unidade policial, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades, apurar responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle interno. Nesta quinta-feira (5), a Corregedoria-Geral acompanhou o cumprimento das medidas judiciais de prisão preventiva e de busca e apreensão realizadas pelo Gaeco, no âmbito da operação, reafirmando a cooperação institucional com os órgãos responsáveis pela investigação. As apurações internas terão continuidade, com a adoção de todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, sem prejuízo da colaboração com as autoridades competentes para o completo esclarecimento dos fatos. A Polícia Civil considera inadmissível qualquer utilização da função pública, da estrutura policial ou dos instrumentos destinados ao combate à criminalidade para a prática de ilícitos. A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a integridade institucional e a transparência, assegurando que eventuais desvios de conduta serão rigorosamente apurados e tratados na forma da lei, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa”.

Veja a baixo a nota da defesa de Hoffman D’ávia e Douglas Tobias. A reportagem não conseguiu retorno com os advogados dos demais envolvidos. 

“A Defesa Técnica do Delegado de Polícia Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa informa que tomou conhecimento do cumprimento de novo mandado de prisão preventiva e de medidas de busca e apreensão no âmbito da denominada Operação Ifrit. Até o presente momento, a Defesa ainda não teve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova custódia nem aos elementos probatórios que embasaram as medidas. Diante disso, qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura. Assim que houver acesso completo ao procedimento, a Defesa realizará a análise técnica do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa”.

Defesa do delegado Hoffman D’Ávila

“De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça”.

Advogado Luiz Renê, defesa de Douglas Tobias

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