O promotor de Justiça Vinícius Gahyva afirmou, durante o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, nesta sexta-feira (31), que o réu recebe tratamento diferenciado na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, e não se alimenta da mesma comida servida aos demais presos.
A declaração foi feita durante a análise de pedidos apresentados pela defesa antes do início da fase de depoimentos. Carlinhos é julgado pelo assassinato da ex-namorada, Thays Machado, e do namorado dela, Willian Cesar Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá.
Promotor de Justiça Vinícius Gahyva questionou supostos privilégios a Carlinhos Bezerra na prisão. – Foto: Rodrigo Moura/TJMT
Durante as perguntas, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva afirmou que Carlinhos recebe tratamento diferenciado desde que foi encaminhado para a Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Segundo o promotor, o réu não se alimenta da mesma comida servida aos demais presos da unidade. Na sequência, Carlinhos afirmou aos jurados que, durante o período em que está preso, chegou a ingerir cerca de 150 comprimidos em uma tentativa de tirar a própria vida.
Diante da declaração, o promotor questionou como o réu teria conseguido acesso a essa quantidade de medicamentos dentro da unidade prisional.
O tema foi um dos pontos de maior tensão durante o interrogatório, realizado após Carlinhos apresentar sua versão sobre o duplo homicídio de Thays Machado e Willian Cesar Moreno.
O julgamento ocorre no Fórum de Cuiabá, sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Carlinhos responde pela morte de Thays Machado, sua ex-companheira, e de Willian Cesar Moreno, namorado dela, assassinados em janeiro de 2023.
Ao longo do dia, o Conselho de Sentença ouviu testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. A expectativa é que, após os debates entre acusação e defesa, os jurados decidam se Carlinhos será condenado ou absolvido.
A versão de Carlinhos
O júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra segue nesta sexta-feira (31). – Foto: Rodrigo Moura
Durante o interrogatório, Carlinhos apresentou aos jurados sua versão para o crime. Ele afirmou que “perdeu o controle” ao encontrar Thays Machado e Willian Cesar Moreno juntos e disse que os disparos aconteceram em uma “fração de segundos”.
Segundo o réu, ele e Thays planejavam se casar no cartório e tinham uma viagem marcada para janeiro. Carlinhos afirmou ainda que foi ele quem decidiu encerrar o relacionamento após um almoço no dia 24 de dezembro, quando a ex-companheira apresentou Willian apenas como “teu xará”.
O empresário também negou que monitorasse a rotina de Thays. Segundo ele, os dois compartilhavam voluntariamente a localização dos celulares enquanto mantinham o relacionamento. Ao ser questionado sobre as anotações encontradas pela Polícia Civil com locais frequentados pela vítima e contatos telefônicos, afirmou que tem “memória fotográfica”, mas que anotava informações por enfrentar problemas de memória.
Monitoramento e contratação de cigana
A investigadora da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Lívia Cristina Silva Sales, foi a segunda testemunha ouvida pelo Conselho de Sentença. Durante o depoimento, ela afirmou que a perícia nos celulares identificou conversas sobre a contratação da Cigana Isolda para a realização de um trabalho espiritual envolvendo Thays Machado. Segundo a policial, a extração dos dados também revelou um pagamento de R$ 550 pelo serviço.
Investigadora fala sobre suposto trabalho pago por Thais. – Vídeo: Reprodução
Lívia Cristina informou ainda que a análise dos aparelhos encontrou 914 registros de chamadas entre Carlinhos e Thays no período de 31 de dezembro de 2022 a 18 de janeiro de 2023, data do crime. Conforme a investigadora, as conversas também mostraram que Thays era firme ao afirmar que o relacionamento havia chegado ao fim e que não existia possibilidade de reconciliação. De acordo com a testemunha, a vítima deixava claro ao então ex-companheiro que “não tinha mais volta”.
Antes de Lívia Cristina, o delegado Marcel Gomes de Oliveira, responsável pelas investigações, afirmou que a Polícia Civil reuniu um “farto conjunto probatório” contra Carlinhos.
Segundo ele, foram encontradas anotações feitas pelo réu com a rotina de Thays, indicando que ela era monitorada constantemente. O delegado também sustentou que o duplo homicídio foi premeditado. “Não foi um fato aleatório. Foi um fato anteriormente previsto”, declarou aos jurados.
Carlinhos Bezerra fez 914 ligações para ex e contratou trabalho espiritual antes do crime, diz investigadora
‘Perdi o controle’, diz Carlinhos Bezerra em depoimento sobre mortes da ex e do namorado dela
Em júri, delegado afirma que Carlinhos Bezerra monitorava rotina da ex-namorada antes dos assassinatos
VÍDEO: policial diz que filho de ex-governador de MT pagou R$ 550 a cigana antes do crime
Filho de ex-governador de MT alega depressão e irá a júri sem algemas e uniforme, mas não consegue anular novo julgamento
Advogados de Carlinhos Bezerra podem responder a processo na OAB após abandono de júri
Promotores veem abandono de advogado no júri de Carlinhos Bezerra como estratégia para adiar julgamento
Da perseguição aos disparos: relembre o caso que leva filho de ex-governador ao banco dos réus
Cassação de prefeito e vereadores em MS é adiada pelo TRE
Julgamento de Carlinhos Bezerra é adiado após advogado deixar plenário; veja nova data
Roupas lideram presentes do Dia dos Pais e gasto médio deve ser R$ 350 em MT
Mulher de suspeito de lavagem de dinheiro é presa ao desembarcar de Paris em aeroporto de MT
‘Cinco Tipos de Medo’ chega ao streaming; veja onde assistir