A perícia realizada nos celulares de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, e da ex-namorada, a advogada Thays Machado, revelou que os dois mantiveram intensa comunicação nos dias que antecederam o crime.
Em depoimento no Tribunal do Júri, nesta sexta-feira (31), a investigadora da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Lívia Cristina Silva Sales, informou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o réu e a vítima entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data do duplo homicídio.
Segundo a policial, a análise das conversas também mostrou que Thays era categórica ao afirmar que o relacionamento havia terminado e que não existia possibilidade de reconciliação.
Responsável pela análise dos aparelhos telefônicos durante a investigação, a policial afirmou que essa informação consta no relatório pericial produzido pela DHPP e integra o conjunto de provas apresentado ao Conselho de Sentença.
Outro ponto revelado pela investigadora foi que a análise dos celulares identificou que Carlinhos teria contratado uma cigana para realizar um trabalho espiritual envolvendo Thays Machado. Segundo a testemunha, a informação também foi registrada no relatório da investigação.
Lívia Cristina foi a segunda testemunha ouvida no julgamento, realizado no Fórum de Cuiabá.

Mais cedo, o primeiro depoimento foi do delegado Marcel Gomes de Oliveira, responsável pelas investigações. Ele afirmou que havia um “farto conjunto probatório” contra o acusado e relatou que foram encontradas anotações feitas por Carlinhos com a rotina de Thays, incluindo locais como pet shop, supermercado e a escola da filha.
Segundo o delegado, os elementos indicam que o empresário monitorava constantemente a ex-companheira antes do crime.
“Ele não só sabia da localização da vítima, mas estava predisposto à vigilância constante. Além de saber as localizações, fazia vigilância em pontos estratégicos”, afirmou.

Ainda durante o depoimento, o delegado declarou aos jurados que o crime foi planejado.
“Não foi um fato aleatório. Foi um fato anteriormente previsto.”
Carlinhos Bezerra é julgado pela morte da ex-companheira, Thays Machado, e do namorado dela, Willian Cesar Moreno, assassinados a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá. Segundo o Ministério Público, o empresário não aceitava o fim do relacionamento e perseguiu o casal antes de cometer o crime.
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