A menos de um mês após o encerramento das atividades do Laticínio Vencedor, em São José dos Quatro Marcos (MT), produtores de leite da região articulam a criação de uma cooperativa para tentar reativar a planta industrial. O movimento busca diminuir os impactos do fechamento da unidade, que deixou dezenas de fornecedores sem receber pelos produtos entregues.
A proposta foi discutida durante uma reunião promovida pela prefeitura com produtores e fornecedores de leite, nesta segunda-feira (6). A principal alternativa apresentada prevê que a futura cooperativa alugue a estrutura do laticínio por um valor simbólico, com período de carência até que a operação esteja estabilizada e pronta para iniciar a comercialização da produção.
Uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 27, quando deverá ser debatida a formação da diretoria da cooperativa e os próximos passos para viabilizar o projeto. O prefeito Jamis Silva Bolandin (União) afirmou que o objetivo do município é impedir que a estrutura permaneça fechada, repetindo situações semelhantes enfrentadas por outras indústrias da cidade.
“O foco do município é que essa planta volte a funcionar. Conversamos com o proprietário e ele sinalizou que existe a possibilidade de a cooperativa alugar a estrutura para colocar o laticínio novamente em operação”, afirmou em entrevista ao Portal Primeira Página.

Dívidas ainda preocupam produtores
Apesar do avanço nas discussões sobre a cooperativa, o principal interesse dos produtores continua sendo o recebimento dos valores em atraso. Segundo o prefeito, essa foi a principal demanda apresentada pelos fornecedores durante as reuniões realizadas até agora.
“Eles querem receber. Pelo que senti, a cooperativa é importante, mas o que eles mais querem saber é quando vão receber o dinheiro que ficou pendente. E é um direito deles”, disse o prefeito.
Bolandin informou ainda que a prefeitura acompanha a situação desde os primeiros sinais da crise, quando produtores chegaram a realizar manifestações em frente ao laticínio cobrando os pagamentos atrasados.
Na época, representantes do Grupo Ricoy, responsáveis pela marca Vencedor, informaram que os débitos seriam quitados dentro do processo de recuperação judicial, promessa que acabou não se concretizando antes do encerramento das atividades do laticínio.
Agora, a administração municipal busca compreender quem assumiu oficialmente os ativos da empresa e se o novo proprietário, que comprou as instalações do laticínio, também responderá pelas dívidas existentes.
“O advogado do município já está analisando o processo. Queremos entender qual é o tamanho da dívida, quem assumiu essas obrigações e levar essas informações para os produtores”, explicou.
Uma nova reunião, prevista para esta quinta-feira (9), deverá contar com a participação do proprietário da planta industrial para esclarecer a situação jurídica e financeira da empresa.
Relembre o caso
O Laticínio Vencedor encerrou definitivamente as atividades no município após enfrentar uma grave crise financeira. A empresa fazia parte do Grupo Ricoy, que entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025 dentro de um processo de reestruturação financeira.
Antes do fechamento, o laticínio já acumulava atrasos nos pagamentos aos fornecedores de leite, situação que provocou protestos e mobilização dos produtores rurais da região.
Com o encerramento das operações, funcionários ficaram à espera do pagamento de direitos trabalhistas e produtores passaram a buscar novos compradores para a produção leiteira.
Instalado no município desde fevereiro de 2000, o Laticínio Vencedor chegou a empregar mais de 160 trabalhadores e beneficiava cerca de 200 mil litros de leite por dia, sendo um dos principais motores da cadeia leiteira da região sudoeste de Mato Grosso.
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