Ex-marido acusado de encomendar morte de produtor rural e mais 3 vão a júri em MT

Quase cinco anos após o assassinato do empresário Jeferson Mariussi, a Justiça de Mato Grosso decidiu levar os quatro acusados de envolvimento no crime ao Tribunal do Júri. Conforme a decisão, publicada em junho deste ano, o juiz Bruno César Singulani França concluiu que há provas e indícios suficientes de autoria para que os réus sejam submetidos ao julgamento popular.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, o ex-marido da companheira de Jeferson, Ícaro Dionatan Gomes Cabral de Melo, encomendou o crime por cerca de R$ 25 mil, valor que foi pago aos executores Danilo Batista Dekert; Magno Boudny de Brito Silva e Rafael Alves dos Santos.

Jeferson, que tinha 36 anos e atuava como produtor rural, foi morto com três tiros ao descer do carro que dirigia na noite do dia 27 de outubro de 2021, em Campo Novo do Parecis (MT).

Jeferson Mariussi, de 36 anos, foi morto a tiros em Campo Novo do Parecis (MT), há quase cinco anos. – Foto: Reprodução

Mesmo ferido, Jeferson ainda teria conseguido sair do carro e correr em direção à casa em que iria com a companheira, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada no local.

O magistrado reforçou, ainda, que crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, já que os denunciados planejaram o assassinato e aguardaram o momento em que Jeferson estava desprevenido, sendo surpreendido no momento do ataque, em plena avenida da cidade.

Decisão Judicial

O crime de homicídio foi praticado por motivo torpe, consistente no exercício de vingança privada pelo denunciado (Ícaro), que não aceitou o término do relacionamento com a esposa e não suportou o fato dela se envolver com outra pessoa, no caso o ofendido (Jeferson).

Trecho da decisão judicial

Durante o assassinato, Ícaro teria fugido de Campo Novo para Sapezal (MT) na intenção de não ser ligado ao crime.

Na decisão, o juiz afirma o mandante não aceitou o fim do relacionamento com a ex-companheira e o início da relação dela com a vítima.

Depois de atirarem contra a vítima, os três executores fugiram sentido a Tangará da Serra (MT), mas foram abordados por militares da Força Tática, que já haviam sido informados sobre o assassinato de Jeferson em Campo Novo do Parecis. 

Com eles, foram apreendidas duas armas de fogo e materiais que teriam sido utilizados no assassinato. 

Acusados respondem em liberdade

O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) recebeu, em 2022, a denúncia contra os quatro envolvidos no crime contra o produtor rural.

Em agosto do mesmo ano, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu, mediante habeas corpus, o relaxamento das prisões preventivas dos criminosos com medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica.

De acordo com a decisão, as defesas dos acusados apresentaram diversas teses para tentar evitar que eles fossem levados ao Tribunal do Júri.

O juiz Bruno César Singulani, porém, rejeitou todas elas e afirmou que há provas e indícios suficientes de autoria, analisados pela perícia e investigadores durante o processo.

Na sequência, Singulani afirmou que caberá ao Tribunal do Júri decidir se os réus são culpados ou inocentes

Decisão Judicial

Diante de todo o exposto, verifica-se que a materialidade do homicídio qualificado está plenamente comprovada e que há indícios suficientes de autoria em relação a todos os acusados, cada qual com a participação que lhe é atribuída na empreitada criminosa.

Trecho da decisão judicial

O Primeira Página procurou a defesa de Danilo, que afirmou em resposta que não irá se pronunciar sobre o assunto no momento, por questão de “estratégia processual e sigilo profissional”.

A defesa de Ícaro alegou, também em resposta, que o processo segue em grau de recurso e que a sentença de pronúncia “pode ser alterada nas instâncias superiores”.

O Primeira Página tenta contato com as defesas dos demais citados. Todos eles respondem ao processo em liberdade.

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