O prefeito de Jangada, Rogério Meira (PSD), pediu ajuda ao governo federal para reconstruir o município após os incêndios que já destruíram uma área estimada em mais de 5 mil hectares, o equivalente a cerca de 7 mil campos de futebol. O fogo atingiu lavouras de soja, cana-de-açúcar e áreas de pastagem destinadas à pecuária, provocando prejuízo estimado em R$ 50 milhões.
A situação foi apresentada pelo prefeito durante o encontro realizado nesta quinta-feira (20), na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em Cuiabá. Meira afirmou que, além do combate às chamas, a prefeitura iniciou um levantamento dos danos provocados pelo incêndio para dimensionar o impacto sobre produtores, propriedades e estruturas atingidas
“A área afetada é muito grande, mais de 5 mil hectares que já foram queimados. Gado também foi queimado, cavalo que foi morto. Estamos passando um momento muito complicado em nosso município e só temos que pedir ajuda a todos.”.
Segundo o prefeito, a equipe de servidores municipais está trabalhando na identificação dos prejuízos. O levantamento deve servir de base para definir as necessidades do município e fundamentar novos pedidos de auxílio ao governo federal.

Três aeronaves atuam no combate
A estrutura mobilizada para enfrentar os incêndios também foi ampliada. Até quarta-feira (19), Jangada contava com duas aeronaves. Após articulação com o governo federal, uma terceira aeronave passou a integrar a operação.
As outras duas aeronaves são disponibilizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Além do apoio aéreo, o município conta com caminhões-pipa, bombeiros, agentes da Defesa Civil e servidores da prefeitura no combate às chamas e no atendimento às áreas afetadas.
O prefeito relatou ainda que o incêndio provocou a morte de animais e atingiu diretamente atividades produtivas do município, aumentando os prejuízos para produtores rurais.
Durante o encontro, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reconheceu a dimensão do problema enfrentado por Jangada e defendeu que municípios atingidos não sejam deixados sozinhos diante de ocorrências de grande proporção.
“Jangada, aqui no Mato Grosso, é um município muito atingido. É claro que isso tem que ter uma ação emergencial. Acho que nós precisamos ampliar as ações diretamente com os municípios, fazer com que o município não fique sozinho, seja por liberação de crédito ou por outras ações que possam ajudar o município”, afirmou.
Defesa Civil alerta para avanço das queimadas
O secretário adjunto de Proteção e Defesa Civil, Marcelo Reveles, classificou as queimadas como o principal tipo de desastre enfrentado atualmente por Mato Grosso e afirmou que, apesar da redução de focos de incêndio, os incêndios continuam provocando prejuízos.
Segundo ele, existe uma atuação coordenada entre a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para o deslocamento de aeronaves conforme a necessidade de cada região. Quando há demanda por apoio aéreo no combate aos incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros aciona a Defesa Civil, que encaminha as aeronaves disponíveis.
“Queimadas são o nosso maior desastre que temos aqui em Mato Grosso. O estado tem alcançado, na medida do possível, sucesso na diminuição de focos de incêndio. No entanto, mesmo assim, os incêndios continuam avançando e trazendo muitos prejuízos às pessoas, aos animais, à fauna e à flora”, afirmou Carvalho.
Apesar dos esforços, o estado permanece como a região do país com a maior quantidade de focos de calor, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desde janeiro o estado registrou 4.553 focos de calor e lidera o ranking nacional, sendo 809 ocorrências apenas em agosto.

El Niño pode agravar estiagem
Além das queimadas, a Defesa Civil alerta para a possibilidade de agravamento da estiagem nos próximos meses. De acordo com Reveles, o comportamento do El Niño em Mato Grosso tende a ser diferente do observado em outras regiões do país.
Enquanto o fenômeno pode provocar aumento das chuvas em parte do Brasil, em Mato Grosso a tendência apontada é de uma estiagem mais severa. Por isso, a orientação é que os municípios adotem medidas preventivas para evitar que uma eventual crise hídrica afete o abastecimento da população e a disponibilidade de água para os animais.
A previsão de estiagem prolongada pode se estender até novembro ou dezembro e, segundo a Defesa Civil, existe ainda a possibilidade de que as chuvas permaneçam abaixo do normal em janeiro.
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