Quem está planejando trocar de carro ou investir em um seminovo em Mato Grosso deve ligar o sinal de alerta para as oscilações mais recentes das tabelas de preços. O mercado de automóveis leves usados voltou a registrar aceleração no fechamento de maio, impulsionado por uma demanda que continua aquecida no varejo, embora o ritmo geral de valorização mostre sinais claros de acomodação técnica quando comparado ao primeiro trimestre do ano.
Os dados constam no relatório do IBV Auto, indicador econômico nacional desenvolvido pelo banco BV para rastrear transações reais de veículos no país. O levantamento trouxe à tona dois cenários nítidos: a força de consumo da região Centro-Oeste, que liderou a inflação do setor, e uma desvalorização avassaladora que atinge diretamente os proprietários de veículos eletrificados (híbridos e 100% elétricos), que perdem valor de mercado muito mais rápido do que os tradicionais modelos a combustão.
Centro-Oeste puxa a inflação dos seminovos
A nível nacional, o indicador apurou que o preço médio dos carros usados avançou 0,43% em maio, superando a taxa registrada no balanço anterior, que havia ficado em 0,27%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do setor atinge a marca de 6,94%. De acordo com a análise do economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o movimento reflete um mercado sustentado por um consumo resiliente, mas que começa a selecionar melhor as compras devido às condições de financiamento.
No entanto, o verdadeiro destaque geográfico ficou por conta do coração produtivo do país. A região Centro-Oeste disparou na liderança nacional com a maior variação mensal do indicador, cravando uma alta de 0,99% em maio. O vizinho Mato Grosso do Sul liderou o ranking de todos os estados brasileiros com elevação de 1,19%. Já em Mato Grosso, o acumulado de 12 meses exibe um comportamento mais moderado e defensivo, registrando uma das variações mais tímidas do país, situada em 5,05%.
Modelos em alta e baixa no fechamento de maio
A formação do índice de preços sofreu forte influência de modelos populares de grande giro no mercado de usados. O Renault Kwid liderou a tabela de valorização com um salto de 4,58% no mês, seguido pelo SUV Honda HR-V (1,85%) e pelo veterano Volkswagen Gol (1,60%). Na outra ponta do balcão, o GM Onix, que vinha puxando as altas por três meses consecutivos, registrou recuo de 0,36%.
A retração mais expressiva de maio ficou com a versão sedan da marca, o Onix Plus, que amargou uma queda de 1,39% nas avaliações das concessionárias e revendas. A desvalorização também atingiu outros compactos urbanos de grande circulação, como o Fiat Mobi, que registrou recuo de 1,14%, e o Fiat Uno, com baixa de 1,12% no período mapeado.
O tombo dos elétricos e híbridos frente à combustão
O dado mais impactante do relatório do banco BV revela que o tipo de motorização virou o fator crucial para a preservação do patrimônio do motorista. Os carros 100% elétricos lançados em 2023 acumulam uma desvalorização impressionante de 45,6% até maio de 2026. O tombo é provocado pela redução agressiva nos preços das tabelas de veículos zero-quilômetro e pelas estratégias comerciais das montadoras para desovar estoques.
Para se ter uma ideia do tamanho do contraste com as motorizações tradicionais, confira o comparativo técnico de perda de valor por categoria de propulsão:
- Modelos 2023: Enquanto os elétricos perderam 45,6% do valor de nota fiscal, os híbridos recuaram 25,2% e os modelos a combustão registraram apenas 20% de depreciação;
- Modelos 2022: O cenário é ainda mais severo para quem comprou elétricos há quatro anos. A desvalorização acumulada atinge a marca de 49,3% — praticamente metade do valor original —, enquanto os carros a combustão equivalentes perderam somente 13,4%;
- Resiliência dos Tradicionais: Os veículos movidos a gasolina, etanol e diesel demonstram maior estabilidade no mercado de revenda devido à ampla aceitação e facilidade de manutenção.
Entenda a metodologia do indicador IBV
O IBV Auto utiliza uma base de amostragem robusta ancorada no banco de dados do banco BV, uma das instituições líderes em financiamento automotivo no território nacional. O índice realiza ponderações técnicas cruzando o volume de vendas e os preços praticados: quanto mais comercializado e valioso for um determinado modelo, maior será o peso dele na cesta estatística.
A ferramenta utiliza o ano de 2019 como linha de base histórica inicial (fixada em 100 pontos) para calcular de forma limpa a evolução dos preços ao longo do tempo. Para isolar distorções, o índice monitora e compara mensalmente cestas de veículos híbridos, elétricos e a combustão que possuem rigorosamente a mesma idade e características gerais de categoria, tamanho, país de origem e preço quando novos.
A escolha da frota no interior
Para o produtor rural e o morador de cidades com economia pujante como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum, o resultado do IBV Auto traduz em números uma realidade que já se observa nas ruas e fazendas do interior de Mato Grosso. A preferência regional por picapes e utilitários robustos a combustão (diesel e flex) se justifica não apenas pela necessidade de enfrentar as estradas vicinais e a lida no campo, mas também pela segurança financeira de menor depreciação na hora de renovar a frota da propriedade, mantendo o capital protegido de oscilações tecnológicas bruscas.
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*Com informações de relatórios macroeconômicos e dados metodológicos do indicador IBV Auto.*
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