Mesmo com menor área plantada e chuvas atípicas, MT deve bater recorde na produtividade do algodão

Mesmo com uma redução de 11,11% na área destinada ao cultivo de algodão na safra 2025/26, Mato Grosso caminha para registrar a maior produtividade da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A estimativa é de rendimento médio de 315,33 arrobas por hectare, superando o recorde anterior de 315,12 arrobas por hectare, alcançado na temporada passada.

Uma das justificativas para a diminuição da área plantada está no elevado custo da produção. – Foto: Secom-MT

A projeção faz parte do Relatório de Oferta e Demanda divulgado pelo Imea nesta segunda-feira (3). De acordo com o instituto, o desempenho é resultado das condições climáticas favoráveis ao longo do desenvolvimento da cultura.

Apesar do registro de chuvas atípicas na região oeste do estado, o clima contribuiu para minimizar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores durante o plantio e garantiu um cenário positivo para o desenvolvimento das lavouras.

Mesmo com a produtividade recorde, a retração da área cultivada terá reflexo sobre o volume colhido. O estado deve produzir 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,67 milhões de toneladas de pluma, volumes cerca de 11% inferiores aos registrados na safra anterior.

Recuo no cultivo

A redução da área plantada está ligada, principalmente, ao recuo no cultivo do algodão de primeira safra. Segundo o Imea, os elevados custos de produção e os preços menos atrativos no momento da definição do plantio levaram muitos produtores a reduzir os investimentos na cultura.

Mesmo assim, a safra segue com perspectivas positivas. O instituto ressalta que apenas um fator ainda inspira atenção: as chuvas registradas em meados de junho e em agosto, durante a abertura dos capulhos em algumas regiões, podem comprometer pontualmente a qualidade da fibra.

Chuvas atípicas

Em municípios como Sapezal (MT), produtores chegaram a registrar o impacto de chuvas atípicas em um momento decisivo da produção: o da colheita. Esse é o caso do produtor Valcir Scariote, que publicou nas redes sociais o cenário da lavoura após registro de chuva na região.

Nas imagens, Valcir retira o algodão da planta e aperta a pluma com as mãos. A quantidade de água acumulada chama a atenção. “Como vai ficar a qualidade desse algodão? Uma pena, cara. Uma área imensa aqui pronta para ser colhida”, lamenta.

Mercado aquecido

No mercado internacional, Mato Grosso deve manter forte presença. A expectativa é que 76,3% da pluma produzida no estado, o equivalente a 2,09 milhões de toneladas, seja destinada às exportações.

O relatório também aponta que mais de 97% dos estoques finais projetados já estão comercializados, indicando baixa disponibilidade de fibra para novas negociações ao longo da temporada.

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