nova fase da Operação Sem Desconto investiga ocultação de patrimônio

Nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4), mira uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação busca rastrear a origem e o destino dos recursos, identificar beneficiários e esclarecer a participação de cada investigado em um caso que pode ter causado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas.

Familiares do senador Weverton Rocha estão entre os investigados. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. O parlamentar não foi alvo das buscas desta fase, mas segue sendo investigado no âmbito da operação.

Segundo a Polícia Federal, as apurações mais recentes começaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas por meio de:

  • Pessoas físicas e jurídicas;
  • Contas bancárias de terceiros;
  • Estruturas empresariais;
  • Operações com valores em espécie.

Esquema organizado para supostamente ocultar a origem e a destinação dos recursos investigados.

PF investiga rombo no INSS

De acordo com os investigadores, o objetivo desta nova fase é aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro ligado ao esquema, esclarecer a finalidade dos repasses realizados e individualizar a conduta dos suspeitos.

A PF afirma que a investigação busca identificar quem recebeu os recursos, qual era a finalidade das transferências e de que forma os valores foram movimentados ao longo do período analisado.

As suspeitas constam em uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou o avanço das medidas investigativas.

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). (Foto: Divulgação/INSS)
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). (Foto: Divulgação/INSS)

Conforme a Polícia Federal, a investigação aponta para uma estrutura que teria sido utilizada para dar suporte financeiro, patrimonial e logístico aos beneficiários dos recursos sob suspeita.

Os investigadores sustentam que empresas, imóveis, aeronaves, operadores financeiros e contas de terceiros podem ter sido utilizados para movimentar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A PF também aponta que as movimentações investigadas teriam sido realizadas por meio de diferentes pessoas e empresas, o que pode indicar uma tentativa de ocultação dos recursos.

Entenda a Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto foi deflagrada após investigações revelarem um suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024.

Segundo a Polícia Federal, entidades teriam realizado cobranças sem autorização de beneficiários, descontando valores diretamente dos pagamentos recebidos por aposentados e pensionistas. As estimativas apontam que os prejuízos investigados podem alcançar R$ 6,3 bilhões.

PF avança em nova fase de investigação sobre as fraudes ao INSS. (Foto: Polícia Federal/divulgação)
PF avança em nova fase de investigação sobre as fraudes ao INSS. (Foto: Polícia Federal/divulgação)

Desde então, a operação passou a investigar não apenas a origem das fraudes, mas também a possível movimentação e ocultação dos recursos obtidos por meio do esquema.

O que dizem os citados

Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que todas as movimentações mencionadas decorrem de atividades profissionais e empresariais regulares.

Já a defesa do advogado Willer Tomaz informou que a esposa do senador trabalha em seu escritório de advocacia e declarou confiar no esclarecimento dos fatos, sustentando que sua conduta não possui relação com o objeto investigado pela operação.

As investigações continuam. Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos apurados nesta nova fase da Operação Sem Desconto.

Com informações do G1.

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