Polícia Civil prende grupo que usava decisão do STF para mascarar tráfico de drogas em Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Supremo Engano, com o objetivo de desarticular um esquema sofisticado de tráfico de drogas e associação para o tráfico na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com informações da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.

As ordens judiciais foram expedidas após uma investigação minuciosa que se estendeu por meses. Segundo os dados divulgados pela Denarc, o grupo focava no cultivo e distribuição de cannabis de alta concentração de THC (conhecida como “skunk” ou “supermaconha”), utilizando métodos de cultivo indoor com estufas de alta tecnologia em Mato Grosso.

Fraude jurídica e uso indevido de decisões do STF

Um dos pontos mais alarmantes revelados pela investigação foi a tentativa de um dos líderes do grupo de legitimar a atividade ilícita. Conforme apurado pela Polícia Civil, o suspeito utilizava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) — que trata da descriminalização do porte para uso pessoal — como escudo para suas operações comerciais.

De acordo com o delegado Eduardo Ribeiro, o investigado buscava obter um habeas corpus preventivo utilizando documentos falsos que simulavam doenças graves. A estratégia visava conseguir uma autorização judicial para cultivo e transporte que, na prática, mascarava uma produção em larga escala para comercialização. Além disso, o grupo substituía o conteúdo de produtos de cânhamo legalizados por drogas de alta potência produzidas ilegalmente para driblar a fiscalização.

Estrutura criminosa e cooperação nacional

As investigações da Denarc apontaram que a associação criminosa era estruturada conforme os critérios da Lei nº 11.343/2006, contando com divisão de tarefas para o cultivo, intermediação e movimentação financeira dos valores oriundos do tráfico. Segundo a autoridade policial, os materiais e documentos apreendidos nesta quinta-feira reforçam as evidências de falsificação documental e transações bancárias ilícitas.

A Operação Supremo Engano integra o planejamento estratégico estadual dentro da Operação Pharus e do programa Tolerância Zero. De acordo com informações da Polícia Civil, a ação também está vinculada à Renorcrim, uma operação de alcance nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para o enfrentamento qualificado às organizações criminosas.

Os presos e os materiais apreendidos foram encaminhados à sede da Denarc para os procedimentos legais. A Polícia Civil informou que a análise dos itens coletados poderá gerar novos desdobramentos e a identificação de mais envolvidos no esquema de “lavagem” jurídica do tráfico de drogas na capital.

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