Pecuária sustentável no Pantanal ajuda no bolso do produtor

Gravado diretamente do Parque de Exposições Laucídio Coelho, durante a 86ª Expogrande, o podcast Agro de Primeira apresentou um episódio especial dedicado à pecuária sustentável e orgânica praticada no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A entrevista teve como convidado Guilherme Oliveira, diretor executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), e foi conduzida pelos apresentadores Edivaldo Nascimento e Tati Scaff. (Assista ao episódio completo no YouTube ou ouça no Spotify do Agro de Primeira)

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Ao longo da conversa, Guilherme Oliveira  destacou o papel estratégico da pecuária no Pantanal e a importância de desmistificar conceitos relacionados à atividade. Segundo ele, “o Pantanal só é o que é hoje graças à presença histórica da pecuária”, desenvolvida há mais de 200 anos de forma integrada ao bioma.

“O Pantaneiro já era sustentável, ele seguia regras ambientais, sociais e a parte econômica dele também estava sendo bem equilibrada. O que a associação faz é ajudar a documentar, certificar e mostrar isso ao mercado”, afirmou o diretor executivo da ABPO.

Durante o episódio, foi apresentada a trajetória da ABPO, o trabalho desenvolvido pela entidade na organização, quais as certificações oferecidas aos produtores e como isso valoriza a produção pantaneira.

Pecuária orgânica e sustentável

Um dos pontos centrais da entrevista foi a diferenciação entre os sistemas de produção orgânico e sustentável. Guilherme detalhou os critérios exigidos em cada protocolo, esclarecendo dúvidas comuns do público consumidor.

Na pecuária orgânica, há restrições rigorosas ao uso de medicamentos químicos, aditivos nutricionais e alimentos transgênicos, sendo permitidas apenas vacinas obrigatórias por lei. Já a produção sustentável apresenta maior flexibilidade, permitindo o uso controlado de tecnologias convencionais, desde que respeitados critérios ambientais, sociais e de bem-estar animal.

Sistemas produtivos sustentáveis no pantanal fortalecem a pecuária a longo prazo. (Foto: Mayke Toscano)

Ambos os modelos, segundo o diretor, têm como base a rastreabilidade individual dos animais, garantindo transparência, origem e segurança alimentar ao consumidor.

Incentivos e bonificações do mercado

O episódio também abordou os incentivos econômicos disponíveis aos produtores certificados. Atualmente, por meio do Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul (PROAPE) e do Programa Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal, produtores recebem bonificações que variam entre 2,5% e 3% sobre o valor da arroba, dependendo do protocolo adotado.

De acordo com a ABPO, a média de retorno ao produtor pode ultrapassar R$ 100 por animal, tornando a certificação uma estratégia viável tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. 

“Além do mercado interno, a rastreabilidade abre portas para mercados internacionais exigentes, como a União Europeia”, apontou Guilherme.

Futuro da pecuária pantaneira

Na reta final do podcast, a conversa avançou para os desafios futuros da pecuária no Pantanal, incluindo logística, mão de obra, sucessão familiar e preservação da cultura local. Guilherme destacou a preocupação da ABPO com a permanência dos jovens no campo e com iniciativas voltadas à educação, tecnologia e valorização do modo de vida pantaneiro.

“O pantaneiro, o filho e o neto lá fora, muito provavelmente ele vai se tornar só mais um número, mas dentro do Pantanal, ele é a pessoa que domina aquilo que o Pantanal tem de melhor: a sua misticidade. A cultura pantaneira não pode se perder. O produtor é parte do bioma, não o vilão”, finalizou.

Pecuária sustentável alia produção, conservação ambiental e eficiência econômica. (Foto: Arumí Figueiredo)
Pecuária sustentável alia produção, conservação ambiental e eficiência econômica. (Foto: Arumí Figueiredo)
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