Casas do agro deixam de ser funcionais e passam a contar histórias

As casas de fazenda deixaram de ser apenas espaços de apoio para o trabalho no campo e passaram a refletir histórias e valores. Esse foi um dos temas centrais do novo episódio do podcast Agro de Primeira MT, que recebeu a designer de interiores Rafaela Campanati. Durante a conversa, a convidada falou sobre as transformações na arquitetura rural, a valorização das memórias familiares e a busca crescente por projetos que traduzam a identidade de quem vive no campo.

Segundo Rafaela, as propriedades rurais acompanharam as mudanças vividas pelo próprio agronegócio. Se antes a casa tinha uma função predominantemente prática, hoje ela também ocupa um papel importante na convivência familiar e na construção de legados.

Veja o episódio completo:

“Eu penso que as fazendas deixaram de ser apenas um ponto de atividade comercial e profissional. Antigamente, a fazenda era um lugar para trabalhar e a casa oferecia o mínimo necessário para manter a rotina. Hoje, os projetos buscam funcionalidade, mas também estética e identidade. Sinto que existe um movimento de orgulho de ser do agro, e as pessoas querem trazer essa identidade para dentro das suas casas”, afirmou.

A designer observa que essa mudança tem levado produtores rurais a investir em ambientes que vão além da beleza e do conforto. O objetivo é criar espaços capazes de contar histórias e representar trajetórias familiares construídas ao longo de gerações.

“Quando uma pessoa entra em um ambiente e diz ‘isso tem a sua cara’, é exatamente isso que buscamos. Cada projeto precisa refletir quem mora ali. A gente procura traduzir histórias em objetos, texturas e elementos que despertem lembranças. O cliente precisa olhar para aquele espaço e sentir que pertence a ele”, explicou.

Memórias como tendências

O movimento também acompanha uma tendência mais ampla de resgate das origens e valorização da memória afetiva. De acordo com Rafaela, elementos antes considerados ultrapassados voltaram a ganhar espaço nos projetos contemporâneos, tanto no campo quanto nas cidades.

“Estamos vivendo um momento de resgate das nossas histórias. O minimalismo está ficando um pouco de lado e as pessoas estão voltando a olhar para a casa da avó, para o telhado, para os móveis antigos e para os objetos que carregam significado. Existe uma busca por ambientes que tenham personalidade e contem histórias”, destacou.

Entre os recursos utilizados para reforçar essa conexão estão fotografias de família, móveis herdados, peças garimpadas em antiquários e objetos que remetem à infância ou às origens dos moradores. Para a designer, esses detalhes ajudam a transformar a casa em um espaço de acolhimento e memória.

A valorização dos ambientes de convivência também aparece como uma das principais características das fazendas modernas. Varandas, áreas gourmet e cantinas ganharam protagonismo por serem locais de encontro entre familiares e amigos.

Outro aspecto observado por Rafaela é que os produtores rurais estão cada vez mais interessados em demonstrar sua ligação com o agro por meio da arquitetura e da decoração.

“Eu sinto que existe uma busca muito forte pela identidade. As pessoas querem mostrar quem são e de onde vieram. Vejo produtores e produtoras com orgulho de dizer que fazem parte do agro. Esse sentimento aparece nos projetos e influencia as escolhas dos materiais, dos espaços e da forma como a casa é pensada”, disse.

Para a designer, a principal função de uma casa continua sendo acolher. No entanto, no campo, esse conceito ganhou novos significados ao incorporar elementos ligados à tradição, à família e à história das propriedades rurais.

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