Postagens ofendendo os nordestinos que moram na região norte de Mato Grosso, em razão da vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) no pleito eleitoral deste domingo (25), levaram o Centro de Tradições Nordestinas (CTN) de Lucas do Rio Verde (MT) a emitir uma nota oficial de repúdio e alerta após uma onda de ataques xenofóbicos direcionados a pessoas nordestinas e migrantes em grupos de mensagens no município.
O posicionamento da entidade veio acompanhado do alerta de que “preconceito não é opinião” e que “intimidação não é democracia”.
A entidade expressou profunda preocupação com o teor do material que circula nas redes, destacando que as mensagens trazem “manifestações depreciativas contra migrantes, referências à possibilidade de barrar ônibus e propostas de exposição de comerciantes em razão de suas posições políticas”.
Diante do cenário, a organização assegurou que não aceitará “qualquer tentativa de impedir a chegada, a circulação ou o trabalho de cidadãos brasileiros” na região.

Mato Grosso vem passando por uma onda crescente de preconceito com a comunidade nordestina, com ataques verbais de políticos e grupos focados em boicotes comerciais e mensagens de ódio. Tendo a entidade se manifestado também nestas situações em combate à discriminação.
Em defesa da pluralidade cultural e econômica que fundou o município, a nota ressalta que “Lucas do Rio Verde foi construída com a força e o trabalho de brasileiros vindos de todas as regiões do país”, citando a contribuição fundamental de nortistas, nordestinos, sulistas e mato-grossenses que estabeleceram suas famílias e negócios na cidade.

Por essa razão, a instituição enfatizou que “nenhum grupo político, independentemente de sua ideologia, tem o direito de intimidar trabalhadores, discriminar pessoas por sua origem ou tentar impedir a livre circulação de cidadãos brasileiros”.
Apesar de reforçar seu respeito ao direito de manifestação pacífica, à liberdade de expressão e às divergências políticas, o CTN frisou que a legislação brasileira e a Constituição Federal, que garantem o direito de ir e vir e a igualdade de todos perante a lei, não autorizam ameaças, perseguições ou práticas discriminatórias.
Diante do risco à integridade e à segurança dos moradores, a diretoria do CTN confirmou que “irá encaminhar os registros às autoridades competentes e representará judicialmente todos os envolvidos, caso sejam constatadas condutas ilícitas”, acionando a Polícia Civil e o Ministério Público (MPMT) para a apuração dos fatos.

A instituição concluiu o comunicado, reiterando o compromisso de acompanhar de perto a situação e lembrando a relevância da convivência democrática e do respeito mútuo.
“Lucas do Rio Verde não pertence a um partido político. Pertence a todos os cidadãos que aqui vivem, trabalham e contribuem para seu desenvolvimento. A divergência política faz parte da democracia. O preconceito e a intimidação, não!”, escreveu.
Procurada, a prefeitura do município informou que não recebeu a denúncia diretamente, lembrando que o CTN é uma instituição não governamental e, portanto, não possui um posicionamento sobre o caso.
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