Brasil tem quase 4 milhões de doses contra dengue distribuídas e ainda não aplicadas

Mais de 3 milhões de adolescentes brasileiros receberam a primeira dose da vacina contra a dengue, mas ainda não voltaram aos postos de saúde para completar a vacinação. O número preocupa as autoridades de saúde com a aproximação do verão, período em que os casos da doença costumam aumentar no país.

A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses. Isso significa que quem recebeu apenas a primeira aplicação ainda não completou o esquema necessário para obter a proteção prevista pela vacinação.

Vacina está disponível em todo o Brasil para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/AgênciaBrasil

Os dados foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro.

Segundo o levantamento, mais de 11,8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil, sendo 7,6 milhões de primeiras doses e 4,2 milhões de segundas doses. Apesar disso, quase 4 milhões de doses enviadas aos municípios continuam sem aplicação.

Verão aumenta preocupação com a dengue

A baixa procura pela segunda dose ocorre em um momento de atenção para o avanço da dengue. Com a chegada dos meses mais quentes, a tendência é de aumento dos casos, cenário que pode ser agravado neste verão pela influência do fenômeno climático El Niño.

De acordo com Eder Gatti, um dos desafios é convencer adolescentes a se vacinarem, especialmente porque muitos não percebem o risco de contrair a doença.

O diretor explicou que o ideal é completar a vacinação nos meses de menor circulação do vírus, para que a população esteja protegida quando os casos começarem a aumentar.

Quem pode tomar a vacina contra dengue?

Atualmente, a vacinação contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está disponível em todo o Brasil para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Inicialmente, a campanha foi direcionada aos municípios com maior incidência da doença, mas a oferta foi ampliada gradualmente para todo o território nacional.

A escolha dessa faixa etária considera os estudos de segurança disponíveis quando a vacina foi incorporada ao SUS e o maior risco de evolução para quadros graves entre crianças e adolescentes dessa idade.

Segundo o Ministério da Saúde, existe a possibilidade de ampliar a vacinação para outras idades, mas a decisão depende de avaliações de segurança, orçamento e capacidade operacional.

O governo federal também mantém um contrato com a farmacêutica japonesa Takeda, fabricante da vacina Qdenga, que prevê a entrega de 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027.

Aedes aegypti. (Foto: Divulgação/MIDR)
Aedes aegypti, mosquito causador da dengue, chikungunya e Zika. – Foto: Divulgação/MIDR

E a vacina produzida pelo Butantan?

A aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan continua suspensa após a identificação de três casos graves da doença, incluindo duas mortes, entre mais de 500 mil pessoas vacinadas.

Até o momento, não há confirmação de que a vacina tenha causado os casos graves. No entanto, a ocorrência levou o Ministério da Saúde a interromper a aplicação em junho de 2026, enquanto são realizadas avaliações complementares de segurança.

A vacina nacional é considerada uma alternativa importante para ampliar a imunização no país. A expectativa inicial era vacinar entre 40 milhões e 60 milhões de pessoas por ano, permitindo alcançar toda a população elegível em aproximadamente três anos.

Com informações da Agência Brasil

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