Principal testemunha da morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, o chaveiro contratado pela vítima no dia do crime deu detalhes da confusão que resultou no homicídio durante a primeira audiência do caso, nesta terça-feira (26), em Campo Grande.
Conforme o trabalhador, a ação foi muito rápida e Mazzini sequer teve tempo de se explicar. “No momento em que eu olhei, ele já disparou”, disse a testemunha durante o depoimento no Fórum de Campo Grande.
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Temendo pela própria vida, o profissional disse que se rendeu logo em seguida. Com as mãos para o alto, o chaveiro disse que tentou explicar que era chaveiro e estava apenas cumprindo o serviço pelo qual havia sido contratado. Bernal então mandou que ele virasse para chão e continuou caminhando com a arma em punho, quando a vítima já estava caída.
“Mas aí pensei: deito ou não deito? Se eu deitar pode acabar sobrando pra mim e levar um tiro aqui na hora, aí pensei o que eu faço? Olhei rapidinho e ele [Bernal] virou as costas pra mim em direção à vítima, e ao invés de eu deitar, eu fui andando rápido em direção ao portão olhando para trás e ele não olhou pra mim e eu consegui sair do portão”, contou a testemunha, em depoimento.
Aproveitando o momento em que o ex-prefeito se aproxima da vítima, o chaveiro contou que fugiu da casa e foi em direção a Rua Antônio Maria Coelho, correndo por alguns metros. Parou e esperou aproximadamente 20 minutos antes de retornar ao outro lado da rua para observar a movimentação na casa. O chaveiro também afirmou que não chegou a ouvir o segundo disparo efetuado por Alcides Bernal.
Outras testemunhas ouvidas
A audiência desta terça-feira (26) durou pouco mais de duas horas. Além do chaveiro, também foram ouvidas outras seis pessoas, incluindo o filho da vítima e funcionários da empresa de segurança que monitorava o imóvel. Já Alcides Bernal não esteve no fórum. Ele acompanhou a audiência de uma sala da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no presídio militar onde está preso.
Em entrevista, o advogado que atua como assistente de acusação na ação, Thiago Martinho destacou que os depoimentos das testemunhas reforçaram a tese de que a vítima era a legítima proprietária do imóvel onde o crime ocorreu.
“Hoje se encerrou a oitiva das testemunhas de acusação e para nós extremamente proveitosa. O delegado de polícia foi extremamente claro nas afirmações dele, o chaveiro também. Também podemos extrair pontos valiosos nos depoimentos das testemunhas da empresa de monitoramento.
Fica muito claro que aquilo que nós dizemos desde o início, né? O senhor Roberto era o proprietário legítimo do imóvel”.Thiago Martinho, advogado
Depoimento de Alcides Bernal
Bernal deve prestar depoimento já nesta quarta-feira (27), quando também serão ouvidos as testemunhas de defesa. Bernal responde pelos crimes de invasão de domicílio, porte ilegal de arma de fogo e homicídio qualificado.