O Governo de Mato Grosso do Sul prevê arrecadar quase R$ 28 bilhões no ano em 2027. São cerca de R$ 800 milhões a mais do que o orçamento deste ano, um crescimento de 2,95%, índice abaixo da inflação acumulada de janeiro a setembro, que é de 3,95%. Segundo a base governista, o orçamento conservador é consequência do baixo crescimento econômico dos últimos meses.
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Governo de MS encaminha orçamento de R$ 27,9 bilhões para 2027 à Alems
Boa parte do dinheiro do estado vai sair do bolso da população. A previsão é de que mais de R$ 22,77 bilhões sejam fruto de receitas tributárias brutas. São impostos e taxas cobrados pelo estado, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que está embutido no preço de produtos e serviços, e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), pago pelos donos de veículos.
Outra fonte importante são as transferências de recursos, principalmente do Governo Federal. Esses recursos serão usados para custear a máquina pública do estado.
No topo da lista de gastos do estado para o próximo ano, está a previdência, com quase R$ 5,7 bilhões destinados, principalmente, ao pagamento de aposentadorias e pensões. Na educação, a previsão é de R$ 4,6 bilhões. O transporte, que inclui a área de rodovias, tem R$ 2,6 bilhões, valor parecido com o previsto para a saúde. Já a segurança pública deve receber R$ 2,5 bilhões.
Gastos previstos
Veja as áreas com os maiores gastos previstos no orçamento estadual.
- 1º Previdência Social R$ 5,692 bilhões
- 2º Educação R$ 4,643 bilhões
- 3º Transporte R$ 2,618 bilhões
- 4º Saúde R$ 2,604 bilhões
- 5º Segurança Pública R$ 2,540 bilhões
Fonte: Governo de MS
Um dos maiores pesos no orçamento está na folha de pagamento do Poder Executivo. São R$ 13,49 bilhões reservados para salários e encargos, o equivalente a cerca de 48,21% de todo o orçamento estadual.
Nessa conta, ainda tem os repasses aos poderes. O maior custo é o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, serão pelo menos R$ 1,5 bilhão no ano que vem.
Um dos pontos que mais chamam a atenção é que, enquanto a previsão de arrecadação do estado cresce, o dinheiro reservado para investir diminui.
Neste ano, o orçamento previu R$ 3,4 bilhões para investimentos. Para 2027, a previsão caiu para R$ 2,4 bilhões. Uma redução de 28%, quase R$ 1 bilhão.
Na prática, isso significa menos recursos previstos para despesas como obras, construções e compra de equipamentos.

Os deputados de oposição ainda analisam o texto do orçamento, mas temem cortes em áreas essenciais, como reforça o deputado estadual Pedro Kemp (PT).
“Nos causa apreensão porque é preciso que a gente preserve os investimentos nas áreas sociais e cito aqui a principal, que é a área da saúde, que não pode de forma alguma sofrer cortes, uma vez que, no estado de Mato Grosso do Sul, a gente tem demandas muito significativas por parte da população, como, por exemplo, a fila de cirurgias eletivas e de exames, que é muito grande, e há uma preocupação também no atendimento nas unidades de saúde com medicamentos de alto custo.”
Pedro Kemp
O projeto que define como o estado pretende arrecadar e gastar os recursos de 2027 começou a tramitar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) nesta semana. Agora passa pela etapa de apresentações das emendas, que são costuras que os deputados podem fazer ao texto original. A previsão é que o orçamento passe aqui pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) no dia 6 de novembro e depois para votação em plenário.
A previsão é que o orçamento de Mato Grosso do Sul seja finalizado, com a sanção do governador, em dezembro deste ano.