meia-entrada, isenção em concurso e outros direitos

A possibilidade de receber benefícios previstos em lei faz com que muitas pessoas se interessem pelo cadastro de doador de medula óssea. Porém, a decisão precisa ir muito além das vantagens oferecidas ao voluntário.

Doação de medula é compromisso com a vida, segundo o Hemosul. (Foto: Júlia Ortega)

No Brasil, o cadastro é realizado por meio do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), banco que reúne informações genéticas de milhões de brasileiros e ajuda na busca por compatibilidade para pacientes que precisam de transplante.

Entre os benefícios previstos de forma nacional está a isenção da taxa de inscrição em concursos públicos federais para candidatos cadastrados como doadores de medula óssea em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde, segundo a Lei Federal nº 13.656/2018.

Apesar disso, de acordo com o Hemosul, o cadastro deve ser feito de forma consciente e voluntária, já que o principal objetivo é ajudar pacientes que dependem de um transplante para continuar vivendo.

Segundo a instituição, o principal motivo para entrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) deve ser a vontade de ajudar quem aguarda por um transplante e firmar um compromisso com a vida.

Cadastro não significa doação imediata

O cadastro no Redome não é uma doação de medula. O processo começa com o preenchimento de um termo de consentimento e a coleta de uma amostra de sangue. 

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Um tubo de sangue é retirado para cadastro como doador de medula. (Foto: Júlia Ortega)

O material é usado para identificar características genéticas conhecidas como HLA, fundamentais para a busca de compatibilidade entre doadores e pacientes.

A partir daí, o voluntário passa a integrar o banco nacional de doadores e pode permanecer cadastrado até os 60 anos de idade.

Em muitos casos, o contato para uma possível doação pode levar anos ou sequer acontecer, já que encontrar compatibilidade genética é difícil. A pessoa pode ser chamada anos depois caso seja identificada como compatível com algum paciente.

Por isso, manter os dados atualizados é fundamental para que o possível doador seja localizado quando necessário.

Os hemocentros e informações de cada município podem ser consultados no portal do REDOME.

Quem pode se cadastrar como doador de medula óssea

Para entrar no Redome é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos;
  • Apresentar documento oficial com foto;
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Assinar o termo de consentimento livre e esclarecido;
  • Realizar a coleta de uma amostra de sangue.

Algumas condições de saúde podem impedir o cadastro ou exigir avaliação específica, como determinados tipos de câncer, hepatites, doenças autoimunes e outras enfermidades previstas nos protocolos do registro.

O que acontece quando há compatibilidade

Caso o sistema identifique um possível doador compatível, o voluntário é procurado por telefone, WhatsApp ou e-mail para confirmar o interesse em seguir no processo.

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Processo para doador de medula é simples e pode salvar vidas. (Foto: Júlia Ortega)

Em seguida, podem ser solicitados novos exames para confirmar a compatibilidade e avaliar as condições de saúde do doador. Somente após todas as etapas concluídas é que a doação pode ser realizada.

O procedimento pode ocorrer por meio da coleta de células-tronco do sangue periférico, semelhante a uma doação de sangue, ou pela retirada da medula óssea em ambiente hospitalar. A escolha depende da avaliação médica e das necessidades do paciente.

Todo o processo é voluntário, gratuito e sigiloso. Além disso, despesas relacionadas à doação, como transporte, hospedagem e alimentação do doador e de um acompanhante, podem ser custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Doador de medula no Brasil

O Brasil possui atualmente cerca de 5,9 milhões de doadores voluntários cadastrados no Redome.

Segundo dados do registro, mais de 125 mil novos doadores são incluídos todos os anos no sistema. Apenas em 2025, quase 150 mil pessoas ingressaram no banco nacional. Em 2026, o número de novos cadastros já passa de 56 mil.

Atualmente, mais de 2,5 mil pessoas aguardam por um doador compatível no Brasil, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO).

Entre pessoas sem parentesco, a chance de compatibilidade pode chegar a apenas uma em cada 100 mil pessoas.

Carteirinha de doador de medula em MS

Em Mato Grosso do Sul, a legislação estadual também prevê benefícios para doadores regulares de sangue e de medula óssea cadastrados nos hemocentros e bancos de sangue, como prioridade em filas bancárias e meia-entrada em ingressos para eventos culturais, esportivos e de lazer.

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Em MS, cadastro de doador de medula também pode ser feito em unidades móveis. (Foto: Júlia Ortega)

Mais do que a carteirinha

Embora a legislação garanta benefícios aos doadores cadastrados, o Hemosul reforça que eles devem ser encarados como uma consequência do ato voluntário e não como o principal motivo para entrar no registro.

De acordo com o órgão, para milhares de pacientes que aguardam um transplante de medula óssea, encontrar um doador compatível pode representar a única chance de tratamento e de sobrevivência.

Segundo a instituição, já houveram casos de pessoas que se registraram motivadas por vantagens previstas em lei, mas desistiram quando foram chamadas para continuar o processo de doação.

“O cadastro deve ser feito por solidariedade e pela vontade genuína de ajudar alguém que precisa”, reforça o órgão.

A desistência de um doador compatível pode ter consequências diretas para quem espera um transplante. Muitas vezes, encontrar uma compatibilidade fora do círculo familiar é raro e pode levar anos.

Segundo o Hemosul, quando um doador recusa a continuidade do processo, o paciente volta a depender da busca por outra pessoa compatível, o que pode atrasar o tratamento e reduzir as chances de sucesso do transplante.

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