Lobista de MT movimentou R$ 572 milhões em esquema de “conta de passagem”, aponta PGR ao STF

Uma denúncia bombástica e minuciosa da Procuradoria-Geral da República (PGR) enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelou as entranhas financeiras de um suposto esquema de corrupção que abala o Poder Judiciário. A acusação aponta que o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, principal alvo investigado na Operação Sisamnes, movimentou a impressionante cifra de mais de R$ 572,5 milhões por meio das contas bancárias da empresa Florais Transportes Ltda. O período das transações suspeitas compreende os meses de outubro de 2019 e novembro de 2024. Conforme a denúncia da PGR, a transportadora funcionava como uma espécie de “conta de passagem” estruturada para ocultar, mascarar e redistribuir recursos de origem ilícita.

De acordo com as investigações federais, a organização criminosa utilizava uma rede de contratos fictícios de prestação de serviços de frete, emissão de notas fiscais ideologicamente falsas e declarações simuladas de pagamentos eletrônicos para dar uma falsa aparência de legalidade ao dinheiro que transitava pelas contas. Diante do robusto conjunto de provas, Andreson foi formalmente denunciado pelos crimes de corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e integração de organização criminosa. Atualmente, o lobista cumpre medida cautelar de prisão domiciliar no estado de Mato Grosso.

Recursos tinham origem em banca de advogado morto em Cuiabá e eram pulverizados em saques

O documento da PGR detalha que a origem primária do dinheiro ilícito vinha de valores que ingressavam diretamente na esfera de disponibilidade financeira do advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado a tiros no final do ano de 2023 no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. A peça acusatória sustenta de forma categórica que parte expressiva desses recursos milionários era posteriormente transferida em lotes para a Florais Transportes, apontada como a espinha dorsal da engenharia de ocultação. O detalhado levantamento bancário anexado aos autos comprova que Zampieri repassou, sozinho, R$ 7,28 milhões para a empresa de Andreson entre dezembro de 2019 e junho de 2023.

A Procuradoria-Geral explicou que a escolha estratégica pelo setor de transporte rodoviário de cargas não foi por acaso. Por se tratar de uma atividade econômica com elevado volume intrínseco de operações comerciais diárias e intensa circulação de caixa, o segmento facilitava a inserção de vultosas quantias em dinheiro sem acender alertas imediatos nos órgãos de controle fiscal, como o Coaf. A denúncia chega a reproduzir um trecho de conversa por aplicativo atribuída ao lobista, na qual Andreson vangloria-se da alta capacidade de sua transportadora em “absorver” grandes montantes de dinheiro em meio ao fluxo regular do negócio. Após o ingresso na Florais, os valores eram pulverizados em transferências simuladas para empresas parceiras, saques em espécie na boca do caixa e repasses fracionados para pessoas físicas para apagar o rastro dos beneficiários finais.

Os principais pilares da denúncia da PGR na Operação Sisamnes reúnem:

  • Movimentação Estratosférica: O lobista Andreson Gonçalves movimentou R$ 572,5 milhões em cinco anos via Florais Transportes;
  • Conexão Zampieri: O advogado Roberto Zampieri, executado em Cuiabá, repassou comprovadamente R$ 7,28 milhões para o esquema;
  • Logística da Fraude: Uso do fluxo do transporte rodoviário, notas fiscais falsificadas e contratos fictícios para acobertar lavagem de capitais;
  • Empresas de Fachada: Repasses milionários para firmas sem funcionários ou frotas reais, como a Marvan Logística.

Empresa de fachada ligada a esposa de ex-servidor do STJ recebeu R$ 4 milhões sem justificativa

A ramificação do esquema financeiro também alcançou Brasília e outras estruturas de apoio. A denúncia formalizada no STF cita nominalmente a empresa Marvan Logística e Transportes Eireli, uma firma aberta em Cuiabá no ano de 2021 e gerida por Vanessa Resende Gonçalves — esposa de Márcio José Toledo Pinto, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O rastreamento bancário revelou que a transportadora Florais realizou 45 transferências eletrônicas diretas para as contas da Marvan entre maio de 2021 e dezembro de 2023, totalizando um desvio de R$ 4,09 milhões.

Para os investigadores criminais, essas transações financeiras ocorreram de forma totalmente graciosa, sem qualquer justificativa econômica ou comercial compatível com a estrutura da firma receptora. Relatórios minuciosos da autoridade policial civil e federal destacaram que a Marvan Logística apresentava ausência completa de empregados registrados, não possuía frota de caminhões cadastrada nos órgãos de trânsito e nenhum contrato verificável que pudesse dar lastro ao volume financeiro que recebia. Vale lembrar que a Operação Sisamnes nasceu a partir da quebra de sigilo e perícia técnica no aparelho celular do falecido Roberto Zampieri, cujo arquivo de dados continha conversas explosivas com grandes empresários, desembargadores estaduais e o lobista Andreson. Esta é a primeira denúncia formalizada pela PGR perante o STF, que conduzirá a tramitação da ação penal.

Elemento de Investigação (Sisamnes) Dados e Valores Identificados pela PGR (2026)
Principal Alvo Denunciado Andreson de Oliveira Gonçalves (Lobista em prisão domiciliar)
Movimentação Total da Florais Transportes R$ 572.548.000,00 (Outubro/2019 a Novembro/2024)
Repasses Diretos de Roberto Zampieri R$ 7,28 milhões (Dezembro/2019 a Junho/2023)
Repasses para a Marvan Logística (STJ) R$ 4,09 milhões em 45 transferências bancárias
Tipificação dos Crimes Acusados Corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem e org. criminosa

A denúncia da PGR contra o lobista Andreson Gonçalves na esteira da Operação Sisamnes expõe a profunda sofisticação das redes de lavagem de dinheiro que se infiltram em setores produtivos de Mato Grosso, evidenciando que empresas do ramo logístico e de transportes continuam sendo o escudo perfeito para movimentar centenas de milhões de reais de origem espúria, embora juristas e analistas políticos alertem com frequência que o avanço das investigações sobre o conteúdo do celular do advogado Roberto Zampieri promete desencadear um verdadeiro terremoto institucional nos tribunais estaduais e superiores, demonstrando com clareza que o cerco contra a venda de sentenças judiciais e o tráfico de influência entrou em uma fase de asfixia financeira e patrimonial sem precedentes neste ano de 2026. Você considera que o STF deveria determinar o afastamento imediato e preventivo de todos os magistrados e desembargadores citados nas conversas telefônicas de Zampieri antes mesmo do fim do julgamento das ações penais, ou acredita que o afastamento prévio sem denúncia formalizada violaria as garantias constitucionais da ampla defesa e da presunção de inocência dos servidores do Judiciário? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.

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