Juíza determina recolhimento de arma e concede liberdade a policial penal suspeito de matar enteado

O policial penal Jeremias Emerson de Matos, investigado por matar o enteado, Átila Yury dos Santos, de 21 anos, foi solto após audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (11). O crime ocorreu nesta quarta-feira (10), na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá.

O ato foi conduzido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira e participaram o promotor de Justiça Samuel Frungilo, o advogado Fabio Moreira Pereira, além da esposa de Jeremias e ele próprio.

Durante a audiência a magistrada verificou haver indícios de que o padrasto tenha agido em legítima defesa diante de depoimentos, tanto dele quanto da esposa, de que a vítima, Átila, era agressivo por conta do uso de entorpecentes e de bebida alcoólica.

Átila Yury dos Santos foi morto pelo padrasto Jeremias Emerson de Matos em Cuiabá. – Foto: Reprodução

Além disso, ele teria avançado contra o padrasto com uma faca, entrando em luta corporal que precedeu os disparos. Foi relatado ainda que o jovem tinha o costume de portar uma faca, acrescentando que, no dia dos fatos, chegou a danificar a motocicleta da avó, diante da agressividade e descontrole.

A juíza considerou ainda que o padrasto não fugiu, permanecendo no local após os fatos e foi quem acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em socorro à vítima. Além disso, levou em conta que o homem é agente da Policial Penal, atividade laboral lícita, com residência fixa, e não tem antecedentes criminais.

“Não há, nos autos, elementos concretos que indiquem risco à instrução criminal, tampouco à aplicação da lei penal, não havendo notícia de que o autuado venha a interferir na colheita de provas ou a se evadir do distrito da culpa”, acentuou a magistrada.

Diante disso concedeu liberdade provisória a Jeremias Emerson mediante cautelares, como recolhimento da arma de fogo e suspensão do porte de arma, enquanto durar a investigação, sob pena de decretação de prisão preventiva em caso de descumprimento.

A morte do enteado

De acordo com o delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os parentes relataram que dois tiros foram disparados e que Átila havia ido visitar a avó materna, que está acamada. Emerson também estava no imóvel.

O padrasto e enteado já tinham um histórico de desentendimentos. Segundo o delegado, no dia anterior ao crime houve uma nova discussão entre eles, ocasião em que o jovem teria danificado a motocicleta da própria mãe.

Conforme a versão apresentada pelo policial penal à polícia, Átila estaria com uma faca quando os dois se encontraram na propriedade. Emerson alegou que efetuou dois disparos na direção do enteado. Um dos tiros atingiu a face do jovem.

Segundo Nilson Farias, os peritos identificaram indícios de que o disparo que atingiu a vítima pode ter sido efetuado a curta distância.

A polícia também localizou uma faca na cena da ocorrência. No entanto, segundo o delegado, o objeto não estava próximo ao corpo da vítima, circunstância que será considerada durante a investigação.

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