Internado, servidor queimado com álcool grava vídeo e defende a esposa

Internado desde o dia 22 de junho, após ter parte do corpo queimado durante uma discussão com a esposa, o servidor público, de 41 anos, gravou um vídeo defendendo a companheira e afirmando que ela “não teve intenção” de machucá-lo. O caso ocorreu no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.

  1. Veterinária é presa e confessa ter colocado fogo no marido durante discussão

No relato, o homem contou que a mulher jogou álcool na mochila dele durante o desentendimento, mas que saiu do cômodo para fumar. Nesse instante, ele a seguiu para continuar a conversa. 

“Nesse momento eu não sei o que aconteceu direito, foi tão rápido, porque estava de dia e a gente não enxerga direito o fogo. Eu não lembro se ela foi atacar a bituca e pegou perto do meu pé, eu sei que na hora que pegou o fogo eu já saí rolando pra apagar e ela veio tentar apagar também, me ajudou. Ela que arrancou a minha blusa que tava pegando fogo e até ela queimou a mão dela também”, disse. 

O servidor afirmou, ainda, que as queimaduras de 2º grau atingiu no máximo 40% do corpo e não 80, como havia sido informado no boletim de ocorrência.

“Aconteceu isso naquele momento, ela foi a pessoa que me socorreu, que me levou correndo pro hospital. Eu até falei pra ela: vai com calma. E ela foi desesperada. Então, eu queria deixar a minha palavra, a minha versão dos fatos que aconteceram. Minha família tá muito desestruturada sem eu, eu tô aqui no hospital, tô me recuperando bem […] e ela tá longe de casa. Então, eu acho que pras crianças, a nossa filha de 22 anos tá muito pesado pra ela coordenar todas essas coisas da casa”, destacou.

Por fim, a vítima pediu a oportunidade de ser ouvido e reforçou que a esposa sempre foi companheira. 

“Se eu puder falar alguma coisa e reforçar que a Lidiane sempre foi uma companheira. Eu acho que ela não teve intenção, dentro dos problemas que ela tinha, psiquiátricos, envolvia esses momentos que ela tinha um desnorte”, finalizou. 

Denúncia do Ministério Público

O advogado da médica veterinária, Jonatas Giovane de Paula dos Reis, enviou uma nota à reportagem após o Ministério Público denunciar a mulher por homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo. Para a defesa, após a prisão preventiva, se mantiveram elementos probatórios relevantes que não estavam disponíveis na análise judicial, o que altera o panorama do ocorrido.

“Dentre esses elementos, destaca-se vídeo gravado espontaneamente pela própria vítima, no qual apresenta sua versão acerca da dinâmica dos fatos. Referido material não existia à época da audiência de custódia nem quando do julgamento do pedido de substituição da prisão preventiva, uma vez que a vítima permanecia hospitalizada, submetida a tratamento médico e impossibilitada de prestar qualquer manifestação. Após recuperar condições de saúde e tomar conhecimento da situação processual da acusada, a vítima decidiu, por iniciativa própria, de forma livre e espontânea, gravar o vídeo, que já foi formalmente encaminhado à Autoridade Policial, acompanhado de requerimento para sua juntada ao Inquérito Policial e para a realização de oitiva complementar, a fim de que suas declarações sejam oficialmente incorporadas à investigação”, alegou. 

Depoimento da médica veterinária após a prisão (Foto: reprodução)

Além disso, o advogado ressalta que a vítima ainda não foi ouvida pela autoridade policial, apesar de estar em condições de prestar esclarecimentos. 

“A Defesa reafirma que não busca antecipar qualquer juízo sobre o mérito da ação penal, matéria que será apreciada pelo Poder Judiciário no momento oportuno. O objetivo é assegurar que todas as provas disponíveis sejam regularmente produzidas e analisadas, garantindo que a verdade dos fatos seja construída a partir de um conjunto probatório completo e submetido ao devido processo legal”, frisou. 

O caso

Em depoimento na delegacia, a mulher relatou que está casada com a vítima há 26 anos. Como ele é servidor federal, também mora em Brasília (DF) devido ao trabalho.

No dia 21 de junho o casal iniciou discussão devido uma suspeita de traição por parte do homem. No dia seguinte, por volta das 6h, ambos voltaram a discutir a respeito do suposto relacionamento extraconjugal do servidor. 

Ao explicar como o incêndio começou, a autora contou que jogou um vidro de álcool sobre a mochila do marido, a qual ele usaria para viajar até Brasília na tarde de segunda-feira (22). 

Porém, ao acionar o isqueiro na intenção de assustá-lo, as chamas se alastraram e queimaram a camiseta do homem, que começou a se debater. 

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia