Em meio às ações do Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio, paróquias da Arquidiocese de Cuiabá têm ampliado iniciativas voltadas à saúde mental, escuta e acolhimento. Os serviços, porém, não ficam restritos a setembro e são oferecidos ao longo do ano.
As ações vão desde espaços onde quem está passando por um momento difícil pode conversar e ser ouvido até triagens e atendimentos realizados por psicólogos e outros profissionais da saúde.
Na Catedral Basílica Senhor Bom Jesus de Cuiabá, por exemplo, a Pastoral da Acolhida iniciou um serviço de escuta para pessoas que desejam compartilhar angústias e dificuldades em um ambiente de respeito e sigilo.
O padre Deusdedit Monge, administrador da Arquidiocese e responsável pela Catedral, explica que muitas pessoas procuram a igreja inicialmente apenas para desabafar. Os agentes são preparados para acolher e, quando percebem que há necessidade de acompanhamento especializado, orientar a procura por profissionais da saúde.
O serviço de escuta não substitui tratamento psicológico ou médico. A proposta é justamente funcionar como uma primeira rede de acolhimento e ajudar a pessoa a chegar ao atendimento adequado quando necessário.
Onde encontrar acolhimento
Na Paróquia São Gonçalo do Porto, a Pastoral da Escuta atende de segunda a quinta-feira e aos sábados, das 14h às 17h. É necessário fazer o agendamento previamente na secretaria da paróquia.
Outra opção fica na Paróquia Mãe dos Homens, na região central de Cuiabá. Às quintas-feiras, a partir das 15h, terapeutas e psicólogos participam de um trabalho de triagem e orientação. Os atendimentos também continuam depois da missa das 19h.
Entre os jovens, a procura por aconselhamento também é frequente. Segundo o padre Tony Moreira, responsável pelo Setor Juventude de Cuiabá, muitos chegam às paróquias enfrentando conflitos familiares ou outras situações em que precisam, primeiro, encontrar alguém disposto a escutá-los.
Atendimento psicológico
Além da escuta pastoral, algumas comunidades mantêm parcerias com profissionais para ampliar o acesso ao atendimento em saúde mental.
Na Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Parque do Lago, em Várzea Grande, mulheres participam de encontros em grupo acompanhados por uma psicóloga da própria comunidade.
O projeto surgiu como uma alternativa para facilitar o acesso à terapia. Para ajudar no custeio dos encontros, as próprias participantes promovem ações de arrecadação, como a venda de pastéis. Além do acompanhamento profissional, o grupo acabou criando também uma rede de apoio entre as mulheres.
No bairro Dom Aquino, o Ambulatório da Paróquia Universitária São José Operário oferece atendimento com profissionais especializados mediante agendamento na secretaria.
A Paróquia São João Bosco também mantém há anos uma parceria com profissionais que realizam atendimentos com taxa social.
Já na Paróquia São Sebastião, no Três Barras, funciona o Ambulatório Social São Rafael. O espaço reúne profissionais da saúde em atendimentos voluntários e, mesmo inaugurado recentemente, já recebe dezenas de pessoas.
Escuta não substitui tratamento
A Arquidiocese destaca que existe uma diferença entre o acolhimento feito pelas pastorais e o atendimento de saúde. Enquanto voluntários oferecem espaço para conversa e orientação, psicólogos e demais profissionais são responsáveis pelo acompanhamento especializado.
Para o padre Deusdedit, o trabalho busca olhar para a pessoa de forma integral, considerando aspectos espirituais, emocionais, familiares e sociais.
As iniciativas também tentam reduzir o preconceito que ainda existe em torno da procura por ajuda psicológica. Conversar com alguém, participar de um grupo de apoio ou procurar atendimento profissional pode ser um primeiro caminho diante de um período de sofrimento.
Em situações de crise ou risco de suicídio, a orientação é procurar atendimento profissional ou um serviço de emergência imediatamente.
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