Idoso agredido em elevador de condomínio em Cuiabá diz que teme cruzar com policial vizinho

Um idoso agredido no elevador de um condomínio em Cuiabá questiona a soltura do investigador aposentado da Polícia Civil, Luciano Testa, nessa quinta-feira (9). A vítima afirma que o magistrado foi levado a acreditar, de forma equivocada, que ela havia deixado o condomínio e até Mato Grosso, informação que nega, e diz temer voltar a cruzar com o agressor.

Ao Primeira Página, o homem de 62 anos, que preferiu não se identificar e aparece em vídeo sendo atingido por socos e chutes no dia 11 de junho, conta que se afastou do condomínio apenas por alguns dias, por questões de segurança, e que desde então vive com receio de encontrar o agressor nas áreas comuns do prédio.

Casal de idosos foi agredido em elevador no bairro Cidade Alta, em Cuiabá. – Foto: Reprodução

“No termo de soltura ele acata a justificativa do advogado que eu teria mudado do condomínio e até de Cuiabá. Isto não é verídico. Me afastei do condomínio nos primeiros dias por segurança, mas só até ele ser detido. Tenho me mantido mais recluso e disfarçando minha presença por conta da depressão pós-trauma e abalo psicológico da minha esposa, que também foi vítima conjunta da violência”, comenta.

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O homem ainda menciona que o magistrado pode ter tomado a decisão sem analisar provas que dessem confiabilidade à alegação e ainda permitiu que Luciano saísse sem tornozeleira eletrônica, o que, na visão dele, dificulta saber se o investigado cumprirá a determinação de se manter afastado a 300 metros da vítima, como foi imposto pela Justiça.

“O agressor parece-me uma pessoa explosiva e que não pensa nas consequências. Será que ele vai respeitar uma decisão que não pode ser monitorada?”, questiona.

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Policial civil aposentado Luciano Testa é acusado de agressões contra idosos em elevador. – Foto: Reprodução

Apreensão e medo

À reportagem, o idoso desabafa que, após saber que Luciano deixará a Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, ficou apreensivo e temeroso pela segurança dele e da companheira.

“Minha esposa voltou a ficar extremamente abalada psicologicamente e receosa pela nossa segurança e vida. É terrível sair do apartamento e ter que ficar olhando em volta para ver se há algum risco para podermos sair para coisas simples como ir trabalhar, ir ao mercado, a igreja ou ao médico terapeuta. Voltamos a insegurança e descontrole emocional dos primeiros dias após o ocorrido”, afirma.

Ele ainda acrescenta que diante do medo tem se questionado sobre mudar ou não de cidade, mas ama viver em Cuiabá e o casal estava investindo na aquisição de imóvel no condomínio, o que atrapalhou os planos e modificou a rotina com o episódio de violência.

“Eu trabalho nessa cidade. Meu ganha pão é aqui! Sinceramente não sabemos o que vamos fazer. O coração pede para ficar e a razão pede outra coisa. Não é uma situação que provocamos e nem que pedisse a violência recebida. Só queríamos seguir a vida sem problemas e veja onde estamos”, lamenta.

Outro lado

O Primeira Página entrou em contato com o advogado Rodrigo Pouso, o qual informou que soube por terceiros que o idoso havia se mudado. No entanto, com a decisão judicial que determina que Luciano não se aproxime das vítimas e nem mesmo entre no prédio onde ocorreram as agressões, ele deve mudar de estado nos próximos dias.

Foi informado ainda que Luciano já estava com planos de mudança para o estado do Paraná antes mesmo do ocorrido e agora está em casa de familiares temporariamente, que devem fazer a mudança por ele para evitar entrar no condomínio.

Segundo Pouso, Luciano deixou ontem a Cadeia de Chapada dos Guimarães e já entregou o armamento,, A Justiça determinou a suspensão do porte de armas pelo investigador aposentado.

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