O Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis (MT), virou alvo de uma operação da Polícia Civil nesta terça-feira (27) após suspeitas de corrupção, pagamentos irregulares e tentativa de interferência nos trabalhos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Durante a ação, os investigadores apreenderam quase R$ 110 mil em dinheiro vivo em Mato Grosso e São Paulo.
A Operação Silêncio Comprado foi deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) para cumprir 20 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores, medidas cautelares e quebras de sigilo telefônico e telemático.
Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos R$ 69,9 mil em Campo Novo do Parecis e outros R$ 40 mil no estado de São Paulo. O valor total que teria sido movimentado pelo suposto esquema ainda é contabilizado no inquérito.
Os mandados foram cumpridos em Campo Novo do Parecis, Arenápolis e também nas cidades paulistas de Barueri e Cotia.
As investigações apuram um suposto esquema de corrupção ligado à gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, além da suspeita de tentativa de compra de silêncio para influenciar os trabalhos de uma CPI instaurada pela Câmara Municipal para investigar possíveis irregularidades na unidade hospitalar.

A investigação teve início após denúncia encaminhada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), relacionada à suposta oferta de vantagem indevida para interferir nas apurações realizadas pelos vereadores.
De acordo com a Deccor, entre os indícios levantados estão pagamentos por serviços supostamente não prestados, emissão de notas fiscais fraudulentas ou ideologicamente falsas, movimentação irregular de recursos públicos e possível desvio de dinheiro ligado à administração do hospital.

A CPI foi instaurada após a morte de uma jovem gestante do município. Conforme os relatos apurados, a paciente apresentou complicações durante um parto cesáreo realizado na unidade, foi transferida para Cuiabá e morreu posteriormente.
O caso provocou forte repercussão na cidade e levou familiares e moradores a questionarem a estrutura do hospital, a qualidade do atendimento prestado, a gestão de recursos humanos e a regularidade dos contratos ligados à administração da unidade.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento apontam indícios, em tese, da prática de crimes contra a administração pública, especialmente corrupção ativa, sem prejuízo da apuração de outros delitos que possam surgir durante o andamento das investigações.
A operação contou com apoio da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), das delegacias de Arenápolis e Campo Novo do Parecis, além da Polícia Civil de São Paulo.
Operação Silêncio Comprado
O nome da operação, “Silêncio Comprado”, faz referência justamente à suspeita de tentativa de pagamento para influenciar os trabalhos da CPI aberta para investigar a gestão do hospital.
A ação também integra a Operação Pharus, planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso voltado ao combate de organizações criminosas e crimes contra a administração pública no estado.
Versões dos investigados
Em nota, a Prefeitura de Campo Novo do Parecis afirmou que a operação não tem relação com a atual gestão municipal e que as investigações estão ligadas ao Instituto São Lucas, responsável pelo Contrato nº 02/2023, alvo da CPI instaurada pela Câmara Municipal.
O município também declarou que forneceu toda a documentação solicitada pela comissão parlamentar e reforçou que mantém compromisso com a legalidade e a transparência na administração pública.
Já o Instituto Hilda Strenger Ribeiro, citado em razão da semelhança no nome fantasia “Instituto São Lucas”, informou que não possui qualquer vínculo administrativo, operacional, financeiro ou institucional com os fatos investigados pela Polícia Civil.
A entidade afirmou ainda que é uma instituição distinta e sem relação com os investigados ou com os atos apurados pelas autoridades, além de defender a legalidade, transparência e ética na gestão da saúde pública.