Governo endurece controle na PCE e transforma Raio 8 em unidade de segurança máxima

O raio 8 da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, foi transformado em uma unidade de segurança máxima destinada à custódia de presos de alta periculosidade. A medida do Governo de Mato Grosso foi oficializada na tarde dessa terça-feira (26) em Diário Oficial. 

Na prática, é criada uma estrutura autônoma dentro da PCE, com protocolos mais rígidos de controle, vigilância e isolamento de detentos considerados de elevado risco.

A estrutura contará com 62 vagas de segurança máxima, distribuídas em 54 celas, sendo 46 individuais e oito duplas.

Raio 8 da Penitenciária Central do Estado foi transformado em uma unidade de segurança máxima. – Foto: Secom/MT

Segundo o Executivo estadual, a proposta é ampliar o controle e reforçar os protocolos de segurança dentro do sistema penitenciário, garantindo uma gestão mais rígida dos custodiados considerados de maior risco.

O secretário de Estado de Justiça (Sejus-MT), Valter Furtado, destacou que a mudança reforça que a unidade autônoma foi estruturada para atender padrões mais rigorosos de vigilância, permitindo um acompanhamento mais efetivo dos internos.

Criminosos de alta periculosidade

Dentre os custodiados considerados de alto risco no chamado raio 8 da unidade estão alguns dos criminosos mais conhecidos do Estado, como líderes de facções criminosas, condenados por assassinatos e chacinas que tiveram grande repercussão e ex-pistoleiros.

Um deles é Sandro da Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, idealizador da facção criminosa Comando Vermelho em Mato Grosso. Com várias condenações que acumulam penas que ultrapassam 200 anos de reclusão, a defesa do faccionado buscou sua retirada do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), liberada em novembro do ano passado.

Este regime é aplicado para o isolamento do detento, evitando riscos de fuga ou rearticulação de organizações criminosas.

Sandro Louco
Líder de facção criminosa, Sandro Louco cumpre mais de 200 anos de prisão. – Foto: Reprodução

Outro custodiado ligado a facção criminosa é Norivaldo Cebalho Teixeira, o “Véio”, apontado como membro do “Conselho do Comando Vermelho”, com penas de mais de 60 anos de prisão.

Dentre os isolados está o ex-policial militar Hércules de Araújo Agostinho, ex-pistoleiro do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. O detento acumula condenações que ultrapassam 200 anos de prisão por uma série de crimes, incluindo homicídios e tentativas de assassinato entre o fim de 1990 e o início dos anos 2000.

Hércules Agostinho
Hércules Agostinho preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) condenado a mais de 200 anos de prisão.- Foto: Reprodução

Quem também está em cela individual no isolamento da PCE é Gilberto Rodrigues dos Anjos, autor da ‘Chacina de Sorriso’. Ele havia sido condenado a 225 anos de prisão pelos estupros e assassinatos de Cleci Calvi Cardoso, e das filhas dela, Miliane, de 19 anos, Manuela, de 13, e Melissa, de 10, em novembro de 2023, em Sorriso (MT).

Contudo, a reportagem do Primeira Página apurou que a pena de Gilberto foi redimensionada para 219 anos e 6 meses de reclusão, após a Quarta Câmara Criminal acatar parcialmente os argumentos da defesa, que questionavam a confissão espontânea feita na delegacia de Sorriso.

Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, ainda não passou por audiência de instrução após ter matado a mãe e 3 filhas em Sorriso. (foto: Reprodução)
Gilberto Rodrigues dos Anjos, condenado pela morte de mãe e 3 filhas em Sorriso. – Foto: Reprodução

Um dos condenados mais recentes, o reeducando Edgar Ricardo de Oliveira, também está atualmente custodiado no raio 8 da PCE. Com mais de 130 anos de prisão ele está detido pela morte de sete pessoas, dentre elas uma criança, após perder uma partida de sinuca, em fevereiro de 2023, em Sinop (MT).

Edgar Ricardo de Oliveira, autor da chacina em Sinop. (Foto: Reprodução)
Edgar Ricardo de Oliveira, autor da chacina em Sinop. – Foto: Reprodução
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