Um homem, de 26, foi preso por suspeita de participar de um grupo criminoso que criava falsas campanhas de doação na internet, conhecidas como vaquinhas on-line, com ajuda de Inteligência Artificial. A prisão ocorreu nesta terça-feira (14), em Dourados, e em outros estados do país.
À reportagem, o delegado João Vitor Heredita, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais (DRCPE), do Rio Grande do Sul, explicou que o suspeito preso em Dourados é suspeito de integrar o núcleo tecnológico da organização. Cerca de 16 pessoas foram presas nos estados de Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Paulo e Rio Grande do Sul.
“Ele teria atuado na criação de sites falsos, administração de domínios e servidores e produção de vídeos manipulados com inteligência artificial e deepfake”, afirmou o delegado.
Ainda conforme o delegado, o investigado estaria vinculado a uma conta compartilhada por vários integrantes do grupo, recebendo valores do principal núcleo financeiro da organização.
Como funcionava o golpe
Tudo começou quando a mãe de uma menina em tratamento contra o câncer, chamada Sophia, denunciou que fotos e vídeos da filha estavam sendo utilizados sem autorização. O material aparecia em anúncios patrocinados no Facebook e Instagram, com objetivo de arrecadar dinheiro. Porém, a família nunca recebeu a quantia.
De acordo com João, o grupo utilizava inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para modificar campanhas verdadeiras e dar aparência de autenticidade aos anúncios. As publicações eram feitas por páginas falsas com nomes como “Clube de Doadores” e “Unidos pelo Amor”.
Assim que clicavam nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para sites que imitavam plataformas de arrecadação, como o Vakinha. Nessas páginas era gerado um código Pix, e o dinheiro transferido para contas de empresas de fachadas controladas pelo grupo.
Apenas na campanha falsa que usava a imagem da menina que deu nome à operação, a polícia identificou o desvio de R$ 294,5 mil. A investigação também apontou uma empresa que funcionava como núcleo financeiro da organização e movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado.
A Polícia Civil orienta que a população confirme a veracidade de campanhas de arrecadação antes de fazer qualquer doação. A recomendação é verificar as informações diretamente com a família ou instituição responsável e conferir se o nome do destinatário do Pix corresponde ao beneficiário da campanha.